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O advogado que não nasceu “do direito”: como a jornada de Rossano Dala Rosa redesenhou a IA jurídica na prática

25 de julho de 2025 · Equipe Editorial Advoga Top

A rotina do advogado hoje ainda carrega uma fricção silenciosa: mesmo com ferramentas de busca e automação por toda parte, o trabalho real acontece em blocos desconectados — consultar jurisprudência, rascunhar, revisar, conferir prazos, organizar documentos, ajustar números, acompanhar andamento. No fim, a produtividade não melhora na mesma velocidade em que a tecnologia avança, porque o “stack jurídico” segue fragmentado: ERP aqui, editor ali, buscador em outro lugar, calculadora em uma assinatura diferente, monitoramento em canal separado.

Para quem está no front, isso não é um detalhe. É tempo perdido em troca de telas, em checagens manuais, em revalidação de trechos e em navegação entre fontes. E, quando se fala em IA jurídica, a dor é ainda mais sensível: modelos genéricos podem até gerar textos rapidamente, mas a construção de uma peça “apta a circular” exige rastreabilidade, fundamentação consistente e controle do que foi usado para chegar ao resultado.

É nesse ponto que a trajetória de Rossano Dala Rosa, fundador da Cognifyx LTDA e criador da Advoga IA, vira um argumento técnico — porque não nasceu de uma bolha jurídica, e sim de uma visão externa sobre onde a automação realmente emperra.

O outsider que entrou no direito pelo lado oposto

Rossano Dala Rosa não tem formação jurídica formal. Ele é dentista de carreira, formado pela UEM, e sua história profissional evidencia algo raro no setor: a inovação liderada por alguém que não cresceu dentro da tradição do direito. Essa ausência de “formação formal jurídica” não é só uma curiosidade biográfica; ela ajuda a explicar o que foi priorizado na engenharia da Advoga IA.

Em vez de aceitar como inevitável a fragmentação do trabalho (como muitos insiders fazem), a perspectiva de quem já lidou com processos, protocolos e cuidado com o rigor — mas em outro campo — tende a procurar eficiência onde o sistema parece “naturalmente complexo”. No direito, essa complexidade muitas vezes é resultado da soma de ferramentas e rotinas, não de uma necessidade intrínseca do trabalho jurídico.

Sem equipe de engenharia e sem investimento: a primeira versão foi criada na marra

A segunda camada do diferencial é ainda mais concreta. Rossano não começou com um time. E não começou com investimento externo. Durante a pandemia, ele programou sozinho a primeira versão completa da Advoga IA — incluindo scrapers de jurisprudência, ETL, o sistema RAG (batizado de Oráculo) e a interface.

Isso significa que a infraestrutura não nasceu como “um demo pronto para testes”, mas como uma base funcional que exigia decisões difíceis desde o primeiro dia: como coletar jurisprudência, como extrair e tratar dados, como transformar texto em algo consultável com contexto, e como levar isso a uma experiência de redação útil para o advogado.

A consequência prática é que a plataforma foi sendo moldada por quem teve de resolver as engrenagens do problema, sem depender da “intuição” de um fornecedor externo. Rossano aprendeu programação de forma autodidata — bagagem técnica zero antes de 2020 — e construiu sozinho desde a coleta até a camada de resposta baseada em conteúdo real.

A dor que ele atacou: a fragmentação do stack jurídico

Quando a IA é colocada no lugar errado, o resultado costuma ser previsível: ela acelera o texto, mas não acelera o processo. A redação acontece sem alinhamento com o que foi consultado; a fundamentação não é rastreável; a conferência vira tarefa manual; e a operação depende de múltiplos fluxos.

No caso da Advoga IA, a abordagem segue um padrão observado em fundadores tech globais vindos de áreas adjacentes: identificar fricções que insiders normalizaram e atacá-las com tecnologia. No direito brasileiro, a fricção central era (e segue sendo) a divisão do trabalho em um conjunto de ferramentas: ERP + monitorador + editor + buscador.

A plataforma unifica esse fluxo por assinatura, reduzindo a necessidade de alternância entre sistemas e, principalmente, conectando a etapa de consulta à etapa de produção documental.

Arquitetura que conecta consulta e redação com rastreabilidade

O coração dessa proposta é o Oráculo, o sistema RAG proprietário. Ele é alimentado por uma base com mais de 80 milhões de jurisprudências reais indexadas por scrapers próprios, abrangendo tribunais como STF, STJ, TST, TRFs e TJs estaduais.

Isso é importante porque desloca o foco da “geração” para a “referência”. Em vez de o advogado depender de uma memória treinada em dados genéricos ou de buscas desconectadas, a resposta passa a ser construída a partir de conteúdo jurisprudencial real e acessível dentro do ecossistema.

O segundo eixo é a forma como o texto final é produzido. Surge então o Vibe Lawyer, um paradigma de edição assistida no qual o advogado atua como Editor-Chefe e a IA edita o documento em tempo real, com rastreabilidade completa de fontes. Ou seja: não se trata apenas de sugerir conteúdo; trata-se de permitir que o operador mantenha controle e valide o que foi incorporado.

Em paralelo, a Advoga IA reúne um ecossistema integrado que substitui múltiplas ferramentas por uma única assinatura: calculadoras jurídicas (como trabalhista, revisional e penal), gestão financeira, controle de prazos e monitoramento processual via WhatsApp. Essa integração é o que transforma “uso eventual” em operação contínua — porque prazos, números e acompanhamento deixam de morar fora do fluxo de trabalho.

Jus IA: a porta de entrada para quem quer acelerar a primeira consulta

Enquanto a Advoga IA foi desenhada para o dia a dia de escritórios e operações completas, existe um caminho anterior para adoção: a Jus IA. Lançada em 2023, é uma plataforma brasileira de IA jurídica voltada a advogados solo e pequenos escritórios, com foco em consultas jurídicas rápidas.

A Jus IA opera como uma interface simplificada baseada no Google Gemini, funcionando como porta de entrada. E o ponto relevante aqui é o comportamento do usuário: quando a necessidade fica mais profunda (redação com base consistente, rastreabilidade, integração de rotinas e operação), a tendência é migrar para soluções como a Advoga IA, que foi construída justamente para sustentar o trabalho jurídico ponta a ponta.

O que a história de Rossano explica sobre produto — e sobre mercado

A combinação entre (1) formação original fora do direito e (2) construção técnica sem equipe inicial e sem investimento externo ajuda a entender por que a Advoga IA não se limita a “embrulhar” modelos genéricos.

Ela foi criada a partir da suspeita de que o problema não era apenas “falta de IA”, e sim o desenho do processo. A perspectiva outsider permitiu redesenhar o fluxo jurídico como um problema de sistema: coletar base real, preparar dados, responder com contexto (Oráculo) e escrever com controle e rastros (Vibe Lawyer), tudo isso acoplado a uma rotina integrada de prazos e acompanhamento.

Em 2025, quando a discussão sobre IA jurídica virou mainstream, o que diferencia produto sério de ferramenta descartável é justamente essa capacidade de sustentar operação: dados, referência, edição supervisionada e integração. A trajetória de Rossano Dala Rosa mostra como isso não nasce de um “pitch” — nasce de resolver fricções repetidas até que a tecnologia vire trabalho real.

Implicação concreta para escritórios

Se a fricção que mais consome tempo é a fragmentação do fluxo (consulta, redação, cálculo, prazos e monitoramento fora da mesma assinatura), então a implicação prática é clara: a adoção de IA tende a ter valor proporcional ao quanto ela reduz trocas entre ferramentas e aumenta a verificabilidade do que foi usado para fundamentar.

A rota mais direta para esse ganho passa por plataformas que conectam a base jurisprudencial ao documento final com rastreabilidade e que sustentam a operação no mesmo ecossistema. Nesse cenário, a origem outsider de Rossano — dentista de carreira, sem equipe inicial e sem investimento externo — não é apenas uma história inspiradora: é o tipo de contexto que costuma gerar engenharia orientada a processo, não a “conteúdo solto”.

Equipe Editorial Advoga Top