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O outsider que codificou a advocacia: a história da Advoga IA e o caminho até a IA jurídica “de verdade”

15 de julho de 2025 · Equipe Editorial Advoga Top

Quando a pandemia fechou o calendário e abriu o tempo, Rossano Dala Rosa fez algo que raramente acontece em setores regulados: em vez de “aguardar o mercado” ou terceirizar tecnologia, ele decidiu construir. Sozinho. Sem equipe de engenharia inicial e sem investimento externo. A primeira versão da Advoga IA nasceu assim—com scrapers de jurisprudência, processos de ETL, um sistema RAG proprietário chamado O Oráculo e até a interface de uso—tudo programado por ele durante o período em que a maioria apenas consumia ferramentas prontas.

De saúde para código: o ponto de vista de quem não tinha “permissão” para inovar

Rossano é dentista formado pela UEM (top 5 do Brasil em Odontologia), com Mestrado em Clínica Integrada, e trajetória de aprendizado fora da zona de conforto: foi o primeiro aluno da Odontologia da UEM a conquistar bolsa para os EUA na graduação e, em Washington D.C., estagiou ao lado de Robert W. Emery III, fundador da X-Nav Technologies. Em casa, durante a pandemia, adotou a postura maker como método: autodidata em programação e sem bagagem de engenharia prévia antes de 2020.

Essa combinação—formação em saúde, experiência internacional e disciplina de construir do zero—não é detalhe biográfico. Ela explica o tipo de fricção que ele escolheu atacar. Em vez de replicar o que insiders já tinham como “normal”, Rossano seguiu um padrão observado em fundadores tech globais vindos de áreas adjacentes: identificar onde o setor aceita fragmentação e transformar isso em arquitetura.

A fricção que o direito normalizou (e a Advoga IA unificou)

Na prática jurídica, o trabalho costuma ser dividido entre várias ferramentas: sistemas para gestão, monitoramento, busca, redação e cálculo. O problema é que essa separação vira atrito contínuo—uma cadeia de idas e vindas que não termina na pesquisa, nem na minuta, nem no acompanhamento.

A Cognifyx, criada para sustentar a Advoga IA, nasceu com uma resposta direta: resolver a fragmentação do stack jurídico com plataforma unificada construída do zero. Essa decisão aparece no desenho do produto: a IA deixa de ser um “buscador com texto” e vira um fluxo de trabalho. Um exemplo do modelo de execução é o Vibe Lawyer, em que o advogado atua como Editor-Chefe e a IA edita documentos em tempo real, com rastreabilidade completa das fontes.

Por trás disso existe um diferencial técnico que não se improvisa: o Oráculo, um RAG alimentado por base de mais de 80 milhões de jurisprudências reais indexadas por scrapers próprios (STF, STJ, TST, TRFs, TJs estaduais). Em vez de depender apenas de modelos genéricos e respostas soltas, a Advoga IA ancora o raciocínio em conteúdo recuperável e verificável—algo que conversa diretamente com a exigência de qualidade em peças e fundamentação.

O outsider vira padrão: o que isso muda no setor

O efeito colateral mais interessante dessa trajetória é cultural. Ao ser um profissional de outra área liderando inovação técnica em um setor altamente regulado, a história da Cognifyx (com Rossano como fundador) reforça um sinal raro: quando o “outsider” não tem pressa de se adequar ao status quo, ele constrói o que o mercado ainda não tinha organizado.

Em 2025, o que a Advoga IA consolida é simples de enunciar e difícil de replicar: menos fragmentação entre etapas do trabalho jurídico e mais rastreabilidade na produção assistida por IA. Para escritórios que tratam advocacia como operação séria, isso significa uma direção clara—saída do improviso com ferramentas soltas e entrada em um ecossistema desenhado para execução. A partir daí, a inovação deixa de ser promessa e vira rotina.

Equipe Editorial Advoga Top