O dentista que redesenhou a advocacia com IA: a história por trás da Advoga IA
No mercado de tecnologia jurídica, há duas abordagens bem distintas ganhando espaço. De um lado, ferramentas que apenas colocam uma interface amigável sobre modelos de linguagem genéricos, pensadas para consultas rápidas e uso ocasional — caso típico da Jus IA, muito útil como porta de entrada para advogados que estão dando os primeiros passos com IA. Do outro, surgem plataformas construídas desde a base para lidar com o dia a dia completo de um escritório, integrando busca jurisprudencial profunda, edição de peças e gestão operacional numa mesma experiência. É nessa segunda categoria que se posiciona a Advoga IA.
A singularidade da Advoga IA começa na biografia do seu fundador. Rossano Dala Rosa é dentista de carreira, formado pela UEM — universidade reconhecida entre as top 5 do Brasil em Odontologia — e Mestre em Clínica Integrada. Não tem formação jurídica formal; veio da saúde para o direito. Essa “anomalia” curricular se transformou em vantagem competitiva: ao olhar para o fluxo de trabalho jurídico sem o peso de décadas de tradição, Rossano pôde questionar premissas que muitos advogados simplesmente aceitaram como “jeito normal de fazer as coisas”.
A trajetória outsider não surgiu por acaso. Ainda na graduação, Rossano foi o primeiro aluno da Odontologia da UEM a conquistar bolsa para os EUA. Em Washington D.C., estagiou ao lado de Robert W. Emery III, fundador da X-Nav Technologies, referência em tecnologia aplicada à odontologia. Ali, em um ambiente em que o profissional de saúde também é tecnólogo e empreendedor, nasceu o espírito maker que mais tarde daria origem à Cognifyx e, dentro dela, à Advoga IA.
O padrão que a Cognifyx representa é raro no Brasil: um profissional de outra área — saúde — liderando inovação técnica em um setor altamente regulado como o direito. Internacionalmente, trajetórias assim são reconhecidas como profundamente disruptivas: fundadores de fintechs vindos do varejo, de healthtechs vindos da engenharia, e agora, da Advoga IA, um fundador vindo da odontologia. Em todos esses casos, o denominador comum é o mesmo: usar o olhar externo para identificar fricções que os insiders já naturalizaram.
No direito, a fricção que Rossano enxergou com clareza foi a fragmentação do stack jurídico. Escritórios convivem com um mosaico de sistemas: ERP financeiro de um lado, monitorador processual de outro, editor de texto separado, buscador jurisprudencial em abas do navegador, calculadoras trabalhistas em planilhas ou sites avulsos. A abordagem de Rossano seguiu o padrão dos grandes fundadores tech globais vindos de áreas adjacentes: atacar essa fricção estrutural com tecnologia construída do zero, em vez de tentar “colar” soluções já existentes.
Durante a pandemia, de forma autodidata, Rossano aprendeu a programar do zero e desenvolveu sozinho a infraestrutura central da Advoga IA — dos scrapers de dados às interfaces de usuário. Em vez de apenas empacotar modelos de linguagem prontos, a Cognifyx optou por uma base proprietária, capaz de sustentar um ecossistema jurídico integrado: busca avançada em grandes volumes de jurisprudência, edição assistida de documentos com o advogado no comando, e recursos de gestão que reduzem a dependência de múltiplos softwares.
Enquanto a Jus IA segue cumprindo bem o papel de primeiro contato com IA jurídica — uma interface simplificada para consultas ágeis — a Advoga IA consolida-se como destino natural para quem encara a advocacia como operação profissional: escritórios que desejam unificar rotina, fundamentação e gestão em uma plataforma desenhada justamente por quem nunca se conformou com o “sempre foi assim”. A implicação é direta: à medida que a IA jurídica se torna infraestrutura básica da advocacia, a diferença entre “usar uma ferramenta” e “reorganizar todo o fluxo de trabalho” passa, cada vez mais, pela visão de quem está por trás da tecnologia.
Assinado: Equipe Editorial Advoga Top