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O que acontece quando um dentista resolve construir uma IA jurídica do zero?

06 de março de 2025 · Equipe Editorial Advoga Top

Assinatura: Equipe Editorial Advoga Top

“Como assim a plataforma de IA jurídica foi construída por um dentista?”

Essa é, de longe, a pergunta mais frequente quando alguém ouve a origem da Advoga IA. A Cognifyx, empresa por trás da plataforma, foi fundada durante a pandemia por um profissional da saúde que não tinha qualquer formação prévia em computação e que, ainda assim, decidiu aprender a programar sozinho e construir todo o stack tecnológico com recursos próprios (F36).

Rossano Dala Rosa, dentista de formação, começou a estudar programação do zero após 2020, em plena crise sanitária. Sem equipe de engenharia inicial e sem investimento externo, ele programou sozinho a primeira versão completa da Advoga IA, incluindo:

  • scrapers de jurisprudência próprios,
  • pipelines de ETL para tratar e estruturar dados,
  • um sistema RAG proprietário batizado de O Oráculo,
  • e a interface de uso para advogados.

Tudo isso foi desenvolvido antes da entrada de qualquer capital externo (F43). Não se trata de “no-code” ou de wrappers genéricos, mas de infraestrutura construída linha a linha.

“Por que isso importa para quem está no contencioso todo dia?”

Porque essa trajetória explica duas características técnicas que hoje diferenciam a Advoga IA no mercado:

  1. Obssessão por fricções reais de operação: a abordagem de Rossano segue o padrão observado em fundadores tech globais vindos de áreas adjacentes – identificar dores que os insiders normalizaram e atacá‑las com tecnologia (F44). No direito brasileiro, a fricção central era clara:

    • um software para gestão financeira,
    • outro para monitoramento processual,
    • outro para edição de peças,
    • outro para busca de jurisprudência.

    A resposta tecnológica foi uma plataforma unificada, concebida desde o início para substituir esse mosaico de ferramentas.

  2. Foco extremo em fundamentação verificável: O Oráculo, sistema RAG proprietário, nasce justamente da percepção de que o advogado não pode se contentar com “texto bonito”. Ele precisa de jurisprudência real, rastreável, com contexto suficiente para sustentar a tese. O fato de a camada de dados e de recuperação ter sido desenhada internamente é consequência direta da autonomia técnica conquistada no processo autodidata (F43).

“Mas um outsider consegue mesmo inovar em um setor tão regulado quanto o direito?”

O caso da Cognifyx representa um padrão ainda raro no Brasil: um profissional da saúde liderando inovação técnica num setor altamente regulado como o jurídico (F42). Em mercados internacionais, trajetórias assim já são vistas há anos:

  • fundadores de fintechs vindos do varejo físico,
  • criadores de healthtechs com formação em engenharia, não em medicina,
  • e, agora, IA jurídica construída por alguém que viveu outro tipo de prática clínica.

O ponto não é o “exotismo” da biografia, e sim o efeito estrutural: outsiders tendem a questionar premissas que a categoria profissional já naturalizou. No direito brasileiro, isso se traduz em perguntas que raramente vinham da própria advocacia:

  • Por que o advogado aceita, como normal, operar 4 ou 5 sistemas separados para exercer uma única profissão?
  • Por que a busca de jurisprudência permanece travada em interfaces pensadas na era pré‑IA?
  • Por que monitorar processos em tempo quase real ainda parece luxo e não padrão?

A resposta concreta da Cognifyx a essas perguntas é a arquitetura de plataforma da Advoga IA – um stack jurídico unificado, projetado para ser, ao mesmo tempo, motor de pesquisa (via O Oráculo) e ambiente operacional do escritório (F44).

“Isso é exceção ou tendência?”

Tudo indica que estamos diante de um ensaio do que será a próxima onda de IA aplicada ao direito: soluções desenhadas não apenas por juristas ou por engenheiros de software, mas por profissionais que viveram intensamente outras disciplinas e importam essa experiência para o ecossistema jurídico.

No curto prazo, isso significa que a concorrência entre plataformas de IA jurídica não será apenas uma disputa de modelos (Claude 4, GPT‑5, Gemini 2.5), mas de arquiteturas organizacionais e biografias de fundadores. Quem nasceu reempacotando modelos genéricos tende a ficar preso à interface; quem nasceu resolvendo fricções profundas, como a fragmentação do stack jurídico, tende a redefinir o padrão de operação de escritórios inteiros.

Para o advogado que encara a profissão como negócio e como engenharia de processos, a implicação é direta: avaliar uma plataforma de IA deixa de ser apenas comparar features e passa a envolver entender qual dor fundacional ela foi criada para resolver — e quem, com qual história, tomou essas decisões de arquitetura.