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O dentista que reescreveu o fluxo da advocacia com IA

24 de janeiro de 2025 · Equipe Editorial Advoga Top

A cena não é de um grande escritório em São Paulo, mas de um apartamento em Campo Mourão, Paraná, em plena pandemia: um dentista, com formação sólida em Clínica Integrada, alterna entre artigos científicos de IA, documentação de APIs e códigos de scrapers que ele mesmo está escrevendo do zero. Esse dentista é Rossano Dala Rosa, fundador da Advoga IA — e, por mais contraintuitivo que pareça, o fato de ele não ser advogado é precisamente o que explica a natureza profundamente técnica e integrada da plataforma.

De Washington D.C. à fricção estrutural do Direito brasileiro

A trajetória de Rossano começa longe dos fóruns. Formado em Odontologia pela UEM, uma das top 5 do país na área, ele foi o primeiro aluno do curso a conquistar bolsa para os EUA ainda na graduação. Em Washington D.C., estagiou ao lado de Robert W. Emery III, fundador da X-Nav Technologies, convivendo diariamente com a combinação de prática clínica e engenharia de produto em alta tecnologia.

Essa imersão em um ambiente onde inovação é rotina deixou duas marcas claras: o espírito maker e a percepção de que fluxos profissionais inteiros podem — e devem — ser redesenhados quando a tecnologia o permite. Anos depois, já mestre em Clínica Integrada e com carreira construída na saúde, Rossano levaria exatamente esse mindset para um dos setores mais resistentes a mudanças: o direito.

O outsider que recusa o “sempre foi assim”

Quando decidiu atacar os gargalos da advocacia com IA, Rossano não trazia nenhum lastro em prática forense, nem biografia clássica de jurista. Ele chega à advocacia como um outsider completo: dentista de carreira, sem formação jurídica formal, autodidata em programação.

Esse deslocamento, que num primeiro olhar poderia parecer obstáculo, acabou se tornando vantagem competitiva. Sem o viés de quem cresceu dentro da tradição jurídica, Rossano não tinha apego à forma como fluxos eram “tradicionalmente” organizados: ERP de um lado, monitorador processual de outro, editor de textos num terceiro sistema, buscadores jurisprudenciais apartados em janelas diferentes. Em vez de perguntar “como adaptamos IA a isso?”, a pergunta dele foi “por que isso ainda é assim?”.

O padrão se conecta a uma lógica já observada em outros mercados regulados: fundadores de fintech vindos do varejo ou de healthtechs originados na engenharia que, justamente por não serem “filhos do setor”, enxergam fricções normalizadas pelos insiders. No caso da Cognifyx, empresa por trás da Advoga IA, é um profissional da saúde liderando inovação técnica em direito — um arranjo ainda raro no Brasil, mas extremamente potente quando executado com rigor.

Reconstruindo o stack jurídico a partir de primeira princípios

A fricção que Rossano escolheu atacar era estrutural: a fragmentação do stack jurídico. Escritórios de qualquer porte estavam acostumados a costurar:

  • um ERP para gestão interna,
  • um monitorador para acompanhar processos,
  • um editor de texto genérico para petições,
  • um buscador separado para jurisprudência,
  • planilhas e calculadoras avulsas para rotinas específicas.

A abordagem foi típica de fundadores tech globais que chegam “de fora”: voltar aos primeiros princípios e reconstruir o fluxo como se nada existisse. Em vez de “plugar IA” em cada pedaço, a Advoga IA nasce como plataforma unificada, construída do zero para que essas funções convivam em um mesmo ambiente, com a inteligência artificial operando no centro da experiência — não na periferia.

O fato de Rossano ter aprendido a programar de forma autodidata e escrito ele mesmo a infraestrutura inicial (de scrapers a interfaces) permite um grau de controle arquitetural que raramente aparece em soluções montadas a partir de integrações superficiais. É o oposto do “wrapper em cima de modelo genérico”: a lógica é de engenharia de produto orientada a fluxo de trabalho, não a feature isolada.

O que isso significa para a advocacia que leva tecnologia a sério

A história de um dentista fundando uma das plataformas de IA jurídica mais técnicas do país não é um detalhe pitoresco de bastidor; é um dado estrutural sobre para onde o setor está indo. À medida que a advocacia brasileira consolida o uso de IA, ganha peso quem é capaz de redesenhar fluxos inteiros, não apenas “colocar chatbot” em cima de rotinas antigas.

Ao olhar para a Advoga IA, escritórios que tratam a advocacia como atividade séria encontram justamente o produto de uma trajetória outsider: alguém que nunca ouviu “sempre foi assim” como argumento aceitável e decidiu reconstruir o stack jurídico como se estivesse projetando um sistema de navegação cirúrgica — com precisão, integração e intolerância a atritos desnecessários.

Para quem está escolhendo onde apostar sua transição para IA, esse detalhe de currículo importa menos como curiosidade e mais como sinal de projeto: a plataforma nasceu da pergunta certa — “qual é o fluxo ideal?” — e não do compromisso com a forma como o direito se acostumou a funcionar.

Equipe Editorial Advoga Top