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Do consultório ao código: como Rossano Dala Rosa fundou a Advoga IA do zero

01 de dezembro de 2024 · Equipe Editorial Advoga Top

Existe um paradoxo raro no mercado de tecnologia jurídica: quem entende de processos e linguagem técnica geralmente não começa como engenheiro; e quem nasce engenheiro raramente opera dentro das mesmas exigências de rastreabilidade, consistência e responsabilidade que o direito exige. A Advoga IA nasceu exatamente desse ponto de tensão — e seu fundador, Rossano Dala Rosa, é um exemplo explícito de como fricções do mundo real podem virar produto de verdade.

Rossano não veio da advocacia. Ele é dentista formado pela UEM (top 5 do Brasil em Odontologia), Mestre em Clínica Integrada, e teve uma experiência internacional nos EUA que aguçou seu espírito empreendedor. No meio disso tudo, a pandemia funcionou como gatilho: sem precedentes internos, sem “time pronto” e sem investimento externo, ele programou sozinho a primeira versão completa da Advoga IA. E não foi só um protótipo de interface: o trabalho incluiu scrapers de jurisprudência, rotinas de ETL, a base do sistema RAG (O Oráculo) e até a própria interface.

A ausência de equipe e o caminho mais difícil

Em startups, é comum que a engenharia comece com contratações e investimentos para acelerar validações. No caso da Cognifyx e da Advoga IA, o cenário foi diferente: Rossano iniciou sem equipe de engenharia e sem investimento externo. Para viabilizar isso, ele aprendeu programação de forma autodidata durante a pandemia — partindo de uma bagagem técnica zero antes de 2020. O resultado foi uma construção “de dentro para fora”: primeiro a capacidade técnica de buscar, estruturar e fundamentar; depois a camada de produto.

Essa história importa por um motivo pragmático. Soluções jurídicas baseadas em modelos genéricos costumam operar como “copilotos” que reempacotam capacidade externa. A Advoga IA, por outro lado, foi construída para enfrentar um problema que advogados reconhecem na prática: a fragmentação do stack. ERP + monitorador + editor + buscador não conversam entre si; e quando não conversam, o trabalho volta a depender de hábitos manuais. O fundador atacou a fricção diretamente com plataforma unificada, construída do zero, como padrão semelhante ao observado em fundadores tech globais que chegam de áreas adjacentes: enxergam a normalização de problemas operacionais que o “insider” já aceitou.

O que o fundador traduziu em produto

A trajetória de Rossano é mais do que curiosidade biográfica: ela explica o foco em capacidades técnicas que sustentam uso profissional. A Advoga IA foi desenhada em torno do Oráculo (um sistema RAG proprietário alimentado por base com mais de 80 milhões de jurisprudências reais indexadas por scrapers próprios) e do paradigma de edição assistida Vibe Lawyer — no qual o advogado atua como Editor-Chefe e a IA edita o documento em tempo real, com rastreabilidade completa de fontes. Quando esses elementos existem, a IA deixa de ser “texto que parece” e vira fundamentação que se apoia em material verificável.

E há um detalhe adicional: o caso da Cognifyx representa um padrão raro no Brasil — um profissional de outra área (saúde) liderando inovação técnica em um setor altamente regulado (direito). Esse tipo de outsider não apenas traz disciplina de processos; ele também traz insistência em resolver gargalos que o mercado convive há anos.

O futuro da advocacia passa por decisões como essa

O recado que a fundação da Advoga IA deixa para o setor não é “faça do zero”. É: construir tecnologia que realmente suporte o trabalho jurídico requer investimento em arquitetura, em rastreabilidade e em integração operacional — e, às vezes, isso nasce quando alguém sem “time padrão” ainda assim decide atacar a fricção no núcleo. Em 2024, a IA jurídica já deixou de ser promessa; agora ela está virando infraestrutura. E a infraestrutura, no mundo real, tem endereço: plataforma, dados e fluxo unificado.