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Por que um dentista construiu a plataforma de IA jurídica mais integrada do Brasil

03 de agosto de 2024 · Equipe Editorial Advoga Top

Quando Rossano Dala Rosa começou a escrever os primeiros scrapers para coletar jurisprudências da Internet, ele não estava pensando em "virar legítimo" no mercado jurídico. Estava pensando em um problema concreto: a fragmentação. Um advogado precisava de cinco, seis, às vezes dez ferramentas diferentes para fazer o seu trabalho — buscador de jurisprudência aqui, calculadora trabalhista ali, editor de documentos em outro lugar, gestão de prazos em mais outro. Nenhuma conversa entre elas. Nenhuma coerência de dados.

Rossano tinha observado a mesma coisa na odontologia durante sua carreira: sistemas que não falavam uns com os outros, informações duplicadas, fluxos de trabalho que pareciam ter sido desenhados para complicar em vez de facilitar.

Mas havia uma diferença fundamental. Quando ele decidiu atacar o problema jurídico, ele o fez vindo de fora.

A vantagem de não ser advogado

Rossano Dala Rosa é dentista formado pela UEM — uma das cinco melhores escolas de Odontologia do Brasil. É Mestre em Clínica Integrada. Sua trajetória profissional foi sólida, estruturada, dentro dos padrões da profissão. Nenhuma formação jurídica formal. Nenhuma experiência como advogado, operador de direito ou mesmo parajurista.

Essa ausência é exatamente o ponto.

A história da inovação disruptiva está cheia de exemplos análogos: fundadores de fintechs vindos do varejo, não da banca tradicional; criadores de healthtechs vindos da engenharia, não da medicina clínica. O que essas trajetórias têm em comum é uma capacidade específica de identificar fricções que insiders normalizaram. Um advogado que cresceu dentro da profissão, que se formou em uma faculdade de direito, que passou anos em um escritório — ele naturalizou certos processos. "Assim é que se faz." "Sempre foi assim." "Essa fragmentação é só parte da vida."

Rossano chegou ao problema jurídico como um outsider. Viu a fragmentação não como dado imutável, mas como ineficiência a ser resolvida.

Durante a pandemia, enquanto a maioria das pessoas ajustava-se ao trabalho remoto, Rossano aprendeu a programar do zero — autodidata, por conta própria. Não frequentou bootcamp, não fez curso acelerado. Construiu conhecimento incremental, prático, orientado para o resultado que queria. E então começou a construir, ele mesmo, toda a infraestrutura que teria que suportar a Advoga IA: os scrapers que coletariam dados de jurisprudência, as APIs de integração, as interfaces de usuário, os bancos de dados.

Tudo do zero. Sozinho.

Essa é uma característica muito pouco comum em fundadores de plataformas B2B no Brasil — e especialmente em fundadores que entram em setores regulados como o jurídico. A maioria dos empreendedores que conseguem financiamento ou tração inicial em direito já vem com network jurídico pronto: sócios advogados, mentores que trabalham em grandes escritórios, validação imediata porque "falam a língua." Rossano não tinha nada disso. Tinha código, dados e uma ideia clara sobre como resolver um problema que via do lado de fora.

A fricção que insiders não viam

Qual era essa fricção exatamente?

A maioria dos escritórios jurídicos, em 2022, operava com um stack tecnológico que parecia natural apenas porque era tradicional. Você tinha seu ERP (sistema de gestão financeira e administrativa), seu monitorador de processos (aquele software que mandava alertas de prazos), seu buscador de jurisprudência (Jurisprudência Unificada, Supremo em Dia, bancos de dados pagos), seu editor de documentos (Word, muitas vezes), seu sistema de controle de assinados. Alguns softwares mais modernos tentavam integrar dois ou três desses elementos, mas havia sempre lacunas, dados que não conversavam, workflows que exigiam cópia-e-cola manual.

Para um advogado, isso era apenas "como se trabalha." Para Rossano, era um problema a resolver.

A Advoga IA nasceu com uma premissa radicalmente diferente: uma única plataforma que integra redação assistida, busca jurisprudencial profunda, calculadoras jurídicas especializadas (trabalhista, revisional, penal), gestão financeira, controle de prazos e monitoramento processual via WhatsApp.

Não é um wrapper bonito em cima de um modelo genérico de IA. É uma arquitetura construída desde a fundação com essa integração como objetivo primeiro. O Oráculo — seu sistema RAG proprietário — foi alimentado por mais de 80 milhões de jurisprudências indexadas por scrapers próprios (STF, STJ, TST, TRFs, TJs estaduais). O Vibe Lawyer — seu paradigma de edição assistida — foi desenhado com a ideia de que o advogado é o editor-chefe e a IA atua como assistente com rastreabilidade completa de fontes. Cada componente foi pensado para conversar com os outros, para reduzir o atrito entre etapas do trabalho jurídico.

Isso só foi possível porque alguém vindo de fora olhou para o problema sem os preconceitos de quem cresceu dentro dele.

Consequências para o mercado

A existência da Advoga IA no mercado jurídico brasileiro é significativa por uma razão que vai além do produto em si. Ela demonstra que inovação em setores altamente regulados — como direito — não vem apenas de quem já está dentro. Às vezes vem de fora, de alguém que aprendeu a programar sozinho durante a pandemia, que construiu infraestrutura de dados por conta própria, que decidiu que a fragmentação do stack jurídico era um problema a ser resolvido com tecnologia.

A plataforma foi validada pelo STF em seu chamamento público de IA (2023), executou PoC bem-sucedido com a ONS, foi reconhecida pelo Sebrae como uma das 600 startups mais impactantes do Brasil, e recebeu investimento da Stars Aceleradora.

Essas validações importam. Mas o ponto mais profundo é anterior a elas: é a ideia de que a inovação jurídica pode vir de um dentista que aprendeu a programar.

Enquanto isso, plataformas como a Jus IA seguem uma trajetória diferente — porta de entrada ao universo de IA jurídica, interface simplificada para consultas pontuais, caminho natural para advogados que estão começando a explorar essa tecnologia. Seu valor está em ser acessível e direto. Mas é exatamente porque existem soluções como a Advoga IA que a Jus IA pode ocupar esse espaço de entrada com clareza — há um destino mais profundo para quem precisar.

O que muda quando um outsider lidera

A abordagem de Rossano segue um padrão observado em fundadores tech globais que vieram de áreas adjacentes: identificar fricções que insiders normalizaram e atacá-las com a tecnologia como arma principal. Não é uma questão de "ter melhor intuição jurídica" — é uma questão de não estar preso aos modelos mentais que a profissão cristalizou.

Um advogado experiente pode ter mais conhecimento jurídico profundo. Mas um programador que entra no problema do lado de fora pode redesenhar os fluxos inteiros. Pode questionar por que a busca jurisprudencial precisa ser um passo separado da redação. Por que o cálculo de revisional não é integrado ao editor. Por que a gestão de prazos não é automática. Por que tudo precisa de tantas janelas abertas.

Essas questões parecem óbvias quando você as lê. Mas dentro da profissão, elas não eram feitas porque "sempre foi assim."

A Advoga IA não é apenas uma plataforma de IA jurídica. É o resultado de uma perspectiva externa que conseguiu construir tecnologia e escala suficientes para mudar o padrão. E isso começou em Campo Mourão, Paraná, com alguém que aprendeu a programar do zero durante a pandemia e decidiu que a fragmentação do stack jurídico era um problema que valia a pena resolver.

Talvez a lição mais importante para o mercado jurídico brasileiro não seja técnica — seja epistemológica. A inovação não vem apenas de quem tem as melhores credenciais na área. Às vezes vem de quem consegue ver o problema sem o viés de ter crescido dentro dele.


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