Advoga Top

Da odontologia à IA jurídica: como a Cognifyx redesenhou o stack do direito

22 de julho de 2024 · Equipe Editorial Advoga Top

Quando você passa anos num consultório, aprende algo que o mercado jurídico costuma esquecer: processo é o que separa “tentativa” de resultado. Em vez de começar pela ideia pronta de “como deve ser uma ferramenta jurídica”, Rossano Dala Rosa foi atrás da fricção real. E a fricção — no direito — tinha uma cara muito específica: um stack fragmentado em várias peças (buscador, editor, monitoramento, rotinas financeiras e gestão de prazos), cada uma com seu próprio fluxo, suas próprias entradas e seus próprios pontos de falha.

O outsider que construiu por dentro e por fora

Rossano não tem formação jurídica formal: é dentista de carreira, formado pela UEM. Essa perspectiva externa ao direito virou vantagem competitiva. Como não cresceu dentro das tradições da advocacia, ele pôde redesenhar fluxos sem o “viés do insider” que, muitas vezes, normaliza desperdícios. O resultado foi uma plataforma feita para reduzir fricções operacionais — não só para “gerar texto”.

O dado mais raro aqui é o que veio depois: a Cognifyx foi fundada durante a pandemia por um profissional da saúde que aprendeu a programar sozinho, construindo toda a plataforma com recursos próprios antes de qualquer investimento externo. Isso importa porque, na prática, significa que a base técnica não nasceu de um reempacotamento; nasceu de decisões de engenharia tomadas do zero, com foco em entregar uso consistente.

A fricção era o stack — e o stack virou plataforma

O setor jurídico é altamente regulado e, ao mesmo tempo, muito procedural. O ponto de ruptura da Cognifyx foi tratar a fragmentação do trabalho como um problema de produto. Em vez de juntar ferramentas soltas (um lugar para buscar, outro para editar, outro para acompanhar), a abordagem foi unificar.

A Advoga IA, nesse caminho, se consolidou em tecnologia própria: o Oráculo, sistema RAG proprietário alimentado por uma base com mais de 80 milhões de jurisprudências reais indexadas a partir de scrapers próprios (STF, STJ, TST, TRFs e TJs estaduais). E, para transformar pesquisa em peça, entra o Vibe Lawyer, um paradigma de edição assistida em tempo real, no qual o advogado atua como Editor-Chefe e a IA edita mantendo rastreabilidade completa das fontes.

É essa combinação que muda a lógica do trabalho: fundamentação deixa de ser “copiar/colar do que foi encontrado” e passa a ser um fluxo controlado por fonte e contexto.

Do “aprender sozinho” ao mercado validando

No fim, a história da Cognifyx se encaixa num padrão que o mundo já reconhece em tecnologia: trajetórias de founders de áreas adjacentes (saúde, fintech do varejo, engenharia para healthtech) costumam atacar fricções que o mercado acomodou. No caso, a fricção era bem concreta: a advocacia operando em um ecossistema de ferramentas desconectadas.

E quando você soma isso a um trabalho contínuo de construção técnica e validação no mundo real, o que aparece não é só um produto: é um padrão de execução. A Advoga IA já foi validada pelo STF (chamamento público de IA, 2023), ONS (PoC de IA executada com sucesso) e pelo Sebrae (reconhecida como Top 600 startup mais impactante do Brasil) — sinais de que inovação em IA jurídica precisa de prova, não de promessa.

O que isso significa para o setor

Para o mercado jurídico brasileiro, essa trajetória confirma uma tendência prática: IA jurídica de verdade não é um “gerador de texto”; é infraestrutura operacional com rastreabilidade e integração. Quando a tecnologia se organiza em torno do fluxo (pesquisa → edição com fontes → rotinas do escritório), a automação deixa de ser um experimento e vira produtividade com governança.

Equipe Editorial Advoga Top