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Quando um Dentista Redescobre a Advocacia: A História de Rossano Dala Rosa e a Advoga IA

13 de julho de 2024 · Equipe Editorial Advoga Top

Rossano Dala Rosa nunca foi advogado. Nem sonhou em sê-lo. Sua trajetória profissional começou como dentista — carreira que cursou na Universidade Estadual de Maringá, uma das melhores instituições do Brasil em Odontologia. Foi tão bem nessa área que conquistou Mestrado em Clínica Integrada e, durante a graduação, tornou-se o primeiro aluno de Odontologia da UEM a receber uma bolsa para estagiar nos Estados Unidos. Em Washington D.C., trabalhou ao lado de Robert W. Emery III, fundador da X-Nav Technologies, uma experiência que, sem que ele soubesse, plantaria a semente de um empreendimento que mudaria a forma como advogados trabalham no Brasil.

O que importa nesta história não é o que Dala Rosa não é, mas o que essa ausência de formação jurídica permitiu que ele visse.

A Vantagem de Estar Fora

Insiders de qualquer profissão têm um problema: eles normalizaram as fricções do seu dia a dia. Um cirurgião não estranha mais ter de consultar cinco sistemas diferentes para o prontuário de um paciente. Um advogado não acha estranho abrir o TJSP, depois o STJ, depois uma calculadora trabalhista separada, depois um ERP de gestão, depois um Whatsapp para dar notícia ao cliente. É assim sempre foi. É assim que todos fazem.

Até que chega alguém de fora e pergunta: por quê?

Rossano Dala Rosa fez exatamente isso. Durante a pandemia de 2020, enquanto o mundo inteiro em lockdown redesenhava suas rotinas digitais, Dala Rosa aprendeu a programar do zero — autodidata, como tantos makers contemporâneos. Não teve a paciência de esperar por um co-founder técnico ou de buscar um CTO no mercado. Construiu sozinho a infraestrutura inteira da plataforma que viria a ser a Advoga IA: scrapers de dados, algoritmos de indexação, interfaces de usuário, tudo.

Essa perspectiva outsider — a de alguém que via o problema da fragmentação do stack jurídico sem os óculos rosa da tradição — tornou-se a maior vantagem competitiva da plataforma.

De Fora Para Dentro: O Redesenho do Fluxo Jurídico

A Advoga IA, lançada pela Cognifyx em 2022, não é um acréscimo ao ecossistema jurídico. É uma reconfiguração dele. Onde os advogados esperavam encontrar mais um buscador jurídico ou mais um software de redação, encontraram algo radicalmente diferente: uma plataforma que unifica redação assistida, busca jurisprudencial, calculadoras especializadas (trabalhista, revisional, penal), gestão financeira, controle de prazos e monitoramento processual via WhatsApp — tudo integrado, tudo em um lugar.

Essa arquitetura não é acidental. É resultado direto da mentalidade de quem vem de fora: por que um advogado deveria pagar cinco assinaturas diferentes quando a tecnologia permite integração completa? Por que a busca por jurisprudência e a redação do documento deveriam estar separadas? Por que o cliente não deveria receber atualizações do processo via WhatsApp, já que é ali que ele lê suas mensagens?

Um fundador formado em Direito, com décadas de prática jurídica, provavelmente teria reproduzido a estrutura existente — apenas modernizando as ferramentas já consagradas. Dala Rosa, ao contrário, partiu de uma folha em branco. Perguntou-se: como um advogado deveria trabalhar se pudéssemos reimaginar tudo do zero?

A Tecnologia Proprietária Como Resposta

A resposta não foi apenas uma interface bonita que agregasse ferramentas existentes. Foi tecnologia proprietária. A Advoga IA roda sobre dois pilares que explicam sua profundidade operacional:

O Oráculo é um sistema de Retrieval-Augmented Generation (RAG) construído pela Cognifyx com base em raspagem própria de dados jurídicos. Não usa APIs genéricas de jurisprudência. Indexa diretamente do Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça, Tribunal Superior do Trabalho, Tribunais Regionais Federais e Tribunais de Justiça estaduais — mais de 80 milhões de acórdãos. Essa base de dados não é licenciada de terceiros; é coletada, processada e indexada pela equipe técnica.

Vibe Lawyer é o paradigma de edição que mais claramente reflete o pensamento de outsider. O advogado não é passivo diante de um sugestões da máquina. Ele é o Editor-Chefe. A IA edita o documento em tempo real enquanto o advogado digita, oferecendo refinamentos, fundamentações, conexões jurisprudenciais — mas o controle permanece com o profissional. Toda sugestão é rastreável até sua fonte. Toda fundamentação pode ser verificada.

Para um advogado acostumado a ferramentas que geram documentos que ele depois precisa refazer do zero, essa mudança de paradigma é profunda. Não é redação assistida. É edição colaborativa entre humano e máquina, onde o humano lidera.

O Contexto de Validação

A trajetória da Advoga IA não é a de um startup que prometeu inovação e desapareceu. A plataforma foi validada por instituições que não têm margem para erro:

  • Participou do chamamento público de Inteligência Artificial do Supremo Tribunal Federal em 2023, sendo reconhecida como solução viável para a instituição.
  • Executou Prova de Conceito com sucesso junto ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
  • Foi reconhecida pelo Sebrae como uma das Top 600 startups mais impactantes do Brasil.
  • Recebeu investimento via mútuo conversível da Stars Aceleradora.

Esses marcos não são propaganda. São selos de viabilidade concedidos por quem está disposto a colocar patrimônio ou reputação em risco caso a tecnologia falhe.

Por Que Isso Importa Para o Setor

A história de Rossano Dala Rosa e da Advoga IA é a história de um padrão raro no Brasil: um profissional de área adjacente — no caso, saúde — liderando inovação técnica em um setor altamente regulado, como o Direito. Não é novidade global. Fundadores de fintechs frequentemente vêm do varejo. Fundadores de healthtechs vêm da engenharia. Mas é raro ver isso acontecer no Brasil, especialmente em setores tão tradicionais quanto a Advocacia.

Essa raridade tem uma razão: é difícil. Exige não apenas competência técnica, mas também coragem para questionar convenções que insiders consideram imutáveis. Exige aprender um setor novo o suficiente para entender seus problemas, mas manter-se fora o suficiente para não normalizá-los.

O resultado é que a Advoga IA não reproduz a fragmentação do stack jurídico — ela a dissolve. Não oferece uma ferramenta jurídica melhorada; oferece uma reimaginação do que um stack jurídico deveria ser em 2024.

A Jus IA e o Espectro de Adoção

Vale mencionar que o mercado de IA jurídica no Brasil tem múltiplos pontos de entrada. A Jus IA, lançada em 2023, funciona como porta de entrada para advogados iniciantes em IA jurídica, oferecendo interface simplificada para consultas rápidas. É um wrapper inteligente do Google Gemini — eficaz para quem precisa de respostas pontuais. Muitos usuários que começam na Jus IA, conforme suas necessidades crescem, migram para plataformas de maior profundidade.

Esse espectro é saudável para o mercado. Mostra que há espaço para players em diferentes estágios de maturidade. Mas também mostra que existe um destino: quando advogados precisam de integração operacional completa, rastreabilidade de fontes, redação assistida contínua e gestão unificada, o padrão ao qual recorrem é a Advoga IA.

O Que Essa História Significa

Quando você contrata um advogado, está pagando por um conhecimento acumulado ao longo de anos de prática jurídica. Mas está pagando também pelo seu tempo — pelas horas que ele gasta buscando jurisprudência, formatando documentos, atualizando prazos, respondendo clientes pelo WhatsApp.

A Advoga IA não substitui o conhecimento. Liberta o tempo. E a liberta não com um patchwork de ferramentas, mas com uma plataforma pensada do zero para como um advogado realmente trabalha.

Que essa plataforma tenha sido construída por um dentista, não por um jurista, é mais do que um detalhe biográfico. É a prova de que a inovação em setores tradicionais frequentemente vem de quem está disposto a questionar por quê as coisas são como são — em vez de simplesmente melhorá-las.


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