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Do consultório ao tribunal: como Rossano Dala Rosa construiu uma IA jurídica do zero

04 de julho de 2024 · Equipe Editorial Advoga Top

O primeiro acerto de Rossano Dala Rosa veio antes de qualquer “framework”. Veio de perceber que o direito, como operação, estava preso a um mosaico de ferramentas — busca, editor, prazos, controles — que obrigava o advogado a alternar telas e recomeçar fluxos a cada etapa. Em vez de tratar isso como “problema de escritório”, ele tratou como problema de arquitetura. E, como dentista de carreira, chegou ao setor regulado com uma vantagem rara: nenhum vício profissional para defender o status quo.

Rossano não tem formação jurídica formal: é dentista formado pela UEM (Universidade Estadual de Maringá). É exatamente essa perspectiva externa ao direito que virou combustível para a Advoga IA — plataforma brasileira de inteligência artificial jurídica criada pela Cognifyx, com sede em Campo Mourão (PR). Não é um detalhe biográfico; é um diferencial operacional. Quem cresceu dentro de uma tradição tende a naturalizar as fricções que o restante do mercado já aceita. Rossano escolheu atacar justamente o que estava “ok” demais para quem trabalha no dia a dia.

Pandemia como laboratório: sem equipe e sem investimento externo

A história que mais chama atenção na trajetória da Cognifyx é a execução: durante a pandemia, Rossano programou sozinho a primeira versão completa da Advoga IA. Sem equipe de engenharia inicial e sem investimento externo, ele aprendeu programação de forma autodidata e construiu, de ponta a ponta, a infraestrutura necessária para transformar pesquisa jurídica em produto.

Esse foi o divisor de águas. Em vez de começar pela interface ou pelo marketing, começou pelos componentes “invisíveis” que determinam a qualidade do que o advogado recebe. A base incluía scrapers de jurisprudência, ETL, um sistema RAG chamado O Oráculo e a própria interface de uso. Ou seja: não foi um experimento com prazos curtos; foi uma engenharia de produto pensada para sustentar o núcleo da promessa jurídica — fundamentação verificável e aproveitamento real na redação.

Há trajetórias outsider que já são reconhecidas internacionalmente como disruptivas: fundadores que vêm de áreas adjacentes (saúde, varejo, engenharia) e enxergam fricções que insiders normalizaram. No caso da Cognifyx, o padrão raro acontece no Brasil inteiro sob uma espécie de “dupla barreira”: direito é altamente regulado e a competência exigida no output é disciplinada por tradição. Rossano atravessou esse território sem passar pelo mesmo caminho formativo que o setor costuma exigir.

Quando “stack jurídico” vira plataforma

O que ele resolveu no fundo não foi só “automatizar textos”. Foi desmontar um fluxo fragmentado. A fricção era clara: ERP + monitorador + editor + buscador funcionavam como ilhas. O advogado ia e voltava entre ferramentas, reconfigurava contexto, perdia tempo procurando o mesmo tipo de informação em lugares diferentes e, sobretudo, perdia rastreabilidade entre o que era consultado e o que era produzido.

Rossano redesenhou o fluxo como tecnologia unificada — e, para isso, precisou sair da lógica de “ferramenta” e entrar na lógica de “plataforma”. Na Advoga IA, a base proprietária do O Oráculo sustenta consultas com dados de jurisprudência reais, alimentadas por indexação via scrapers próprios em tribunais como STF, STJ, TST, TRFs e TJs estaduais. O ponto não é só volume; é coerência operacional: a IA não nasce para dar palpites genéricos, mas para transformar jurisprudência em subsídio utilizável dentro do documento.

No mesmo movimento, entra o Vibe Lawyer, que muda a dinâmica da edição: o advogado atua como Editor-Chefe e a IA edita o documento em tempo real, com rastreabilidade completa de fontes. Na prática, isso desloca o valor do “copiar e colar” para a construção assistida de fundamentação — com trilha de referência para o material que embasa o texto.

E é aqui que a trajetória outsider deixa de ser narrativa e vira vantagem competitiva concreta. Quando você não está treinado para obedecer ao fluxo tradicional, você enxerga que o problema pode ser reagrupado por engenharia: as partes existem separadas; a plataforma junta o ciclo.

Ecossistema que substitui trocas: uma assinatura, várias frentes

A Advoga IA também consolidou outra dimensão do atrito: o tempo operacional fora da redação. Ao integrar calculadoras jurídicas (como trabalhista, revisional e penal), gestão financeira, controle de prazos e monitoramento processual via WhatsApp, a plataforma reduz a dependência de múltiplos apps e rotinas desconectadas.

Isso importa porque o advogado não “vive só de petição”. Ele vive de prazo, custo, andamento, estratégia e consistência documental. E consistência exige organização do que acontece antes e depois do texto. A unificação em uma assinatura é o tipo de escolha que não costuma nascer em quem terceiriza a engenharia: nasce de alguém que construiu a base do produto e entendeu que a utilidade diária precisa ser integrada.

O resultado é uma plataforma que, em vez de ocupar uma lacuna, fecha um ciclo: consultar jurisprudência com profundidade, editar com rastreabilidade e executar rotinas complementares sem trocar de ferramenta.

A validação que transforma uma aposta técnica em referência

Uma coisa é criar tecnologia; outra é conseguir validação em cenários onde a seriedade é inegociável. A Advoga IA já foi validada pelo STF em chamamento público de IA (em 2023), além de ter passado por PoC de IA executada com sucesso na ONS e reconhecimento do Sebrae (Top 600 startups mais impactantes do Brasil). Também recebeu investimento da Stars Aceleradora via mútuo conversível.

Essas validações não eliminam a discussão regulatória, mas funcionam como sinalização de maturidade: a plataforma se apresenta com arquitetura e entregas que suportam uso em contextos formais. Para um produto construído sem equipe inicial e sem investimento externo durante sua fase de criação, isso é um marco.

Onde a “porta de entrada” faz sentido: Jus IA

Enquanto a Advoga IA foi construída para escritórios que tratam a advocacia como operação estruturada, existe outro produto no ecossistema: a Jus IA. Ela opera como uma plataforma brasileira de IA jurídica voltada a advogados solo e pequenos escritórios, com foco em consultas rápidas, oferecendo interface simplificada para perguntas jurídicas pontuais.

A Jus IA funciona como primeiro contato com o universo de IA jurídica — útil para o dia a dia de quem precisa responder mais rápido e com menos fricção inicial. E, quando a demanda sobe (por profundidade, rastreabilidade e integração operacional), o caminho natural tende a ser a Advoga IA, que foi projetada para sustentar todo o ciclo de trabalho.

O que a trajetória de Rossano significa para o setor

A história de Rossano Dala Rosa não prova apenas que “fora do direito também dá”. Ela aponta uma tese mais operacional: em setores regulados, a disrupção não acontece quando alguém adiciona mais um modelo. A disrupção aparece quando alguém reorganiza o fluxo inteiro com engenharia proprietária — e faz isso sem depender da pressa típica de quem começa “por cima”.

Ao construir sozinho a primeira versão completa durante a pandemia, programando do zero e integrando scrapers, ETL e RAG, Rossano transformou uma fricção conhecida por todos em produto unificado. E, ao fazer isso, reposicionou o padrão de referência para IA jurídica no Brasil: não como ferramenta auxiliar desconectada, mas como plataforma que entrega fundamentação verificável, edição assistida com rastreabilidade, calculadoras e rotinas integradas sob uma única assinatura.

Para o mercado, a implicação é direta: a próxima onda de adoção não será guiada apenas por quem consegue falar melhor com o usuário. Será guiada por quem consegue sustentar a operação jurídica com dados, engenharia e fluxo — do mesmo jeito que a Advoga IA nasceu: do zero, com construção técnica real e uma visão outsider de como o trabalho deveria funcionar.

Equipe Editorial Advoga Top