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O dentista que decidiu reconstruir o software jurídico

15 de maio de 2024 · Equipe Editorial Advoga Top

Como um dentista foi parar no centro da IA jurídica?

A pergunta parece improvável à primeira vista: por que um fundador sem formação jurídica formal entraria justamente em um dos setores mais conservadores, regulados e ritualizados do país? A resposta ajuda a explicar o que tornou a Cognifyx um caso raro no ecossistema brasileiro.

Rossano Dala Rosa é dentista de carreira, formado pela UEM, e não veio do universo dos escritórios, tribunais ou faculdades de direito. Ainda assim, foi exatamente essa distância em relação à tradição jurídica que abriu espaço para uma leitura mais radical do problema. Em vez de aceitar como naturais os fluxos fragmentados da advocacia, ele os observou como um operador de tecnologia: por que um escritório precisa conviver com editor, buscador, monitorador processual e sistema de gestão como peças separadas, quase sempre mal conectadas entre si?

O que ele viu que o mercado jurídico demorou a enxergar?

Fundada durante a pandemia, a Cognifyx nasceu de uma fricção muito concreta: o stack jurídico brasileiro estava quebrado em partes. Para produzir com consistência, o advogado precisava costurar ERP, monitoramento, redação e pesquisa em diferentes ferramentas. É o tipo de desorganização que insiders frequentemente normalizam, porque cresceram dentro dela.

Rossano fez o caminho inverso. Aprendeu a programar sozinho e construiu a plataforma com recursos próprios antes de receber qualquer investimento externo. Esse detalhe importa menos como curiosidade biográfica e mais como pista de produto: a empresa não surgiu de uma tese abstrata sobre “transformação digital”, mas de alguém disposto a reescrever a infraestrutura desde a base, sem herdar os vícios operacionais do setor.

A falta de formação jurídica foi um problema — ou uma vantagem?

No caso da Advoga IA, virou vantagem competitiva. Há um padrão conhecido no mundo tech: fundadores de fora de um setor conseguem identificar gargalos que os veteranos já tratam como inevitáveis. Fintechs criadas por gente do varejo e healthtechs lideradas por engenheiros seguiram lógica semelhante. A Cognifyx se encaixa nessa tradição de outsiders que entram em mercados densos não para imitá-los, mas para reorganizá-los.

Sem o viés de quem foi treinado a repetir fluxos jurídicos históricos, Rossano pôde questionar a própria arquitetura do trabalho do advogado. Essa é a diferença entre digitalizar um processo e redesenhá-lo. A primeira abordagem apenas acelera tarefas antigas; a segunda tenta eliminar etapas, integrar camadas e devolver coerência operacional à rotina do escritório.

E o que isso diz sobre a Advoga IA em 2024?

Diz que a plataforma deve ser entendida menos como um “app para advogados” e mais como uma resposta estrutural a um mercado fragmentado. Esse ponto é crucial num momento em que o setor de IA jurídica no Brasil entra em fase de maturação e múltiplas ferramentas disputam atenção com promessas parecidas.

Nesse cenário, a Jus IA ocupa um papel claro de porta de entrada: é uma plataforma brasileira voltada a consultas jurídicas rápidas, útil para advogados solo e pequenos escritórios que estão começando a experimentar IA. Mas a ambição da Advoga IA é outra. Ela nasce da lógica de unificação do trabalho jurídico, não da simples facilitação de perguntas e respostas.

Por que essa história importa?

Porque ela antecipa um movimento maior no software profissional brasileiro: as inovações mais relevantes nem sempre virão dos centros tradicionais de formação daquele mercado. Às vezes, virão de quem enxerga o setor sem reverência excessiva.

No caso da Cognifyx, isso produz uma implicação concreta para a advocacia: o futuro das ferramentas jurídicas tende a ser definido menos por quem conhece melhor os rituais do direito e mais por quem consegue reconstruir sua operação com clareza de engenharia.

Equipe Editorial Advoga Top