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O dentista que decidiu reorganizar a advocacia com código

22 de abril de 2024 · Equipe Editorial Advoga Top

Advogar no Brasil virou, para muitos escritórios, uma operação fragmentada demais para o tamanho da responsabilidade envolvida. Pesquisa em um lugar, redação em outro, monitoramento processual em outro, gestão financeira em outro. No meio desse quebra-cabeça, o advogado perde tempo justamente onde deveria ganhar precisão: na construção de estratégia, tese e argumento.

Foi nessa fricção que Rossano Dala Rosa enxergou uma oportunidade improvável. Sem formação jurídica formal, o fundador da Cognifyx veio da odontologia, não do direito. Formado pela UEM, ele não carregava o repertório tradicional dos corredores forenses — e, justamente por isso, conseguiu olhar para a rotina jurídica como um sistema quebrado, não como um conjunto de hábitos inevitáveis.

Um outsider num setor que costuma premiar insiders

A história da Cognifyx começou durante a pandemia, quando Rossano, então profissional da saúde, aprendeu a programar sozinho e passou a construir com recursos próprios a base da plataforma antes de qualquer investimento externo. Num ecossistema em que boa parte das legaltechs nasce da combinação entre advogados e fornecedores de software, seu percurso foge do script.

Esse desvio importa. No Brasil, ainda é raro ver um fundador de fora do direito liderando inovação técnica em um setor tão regulado. Mas há precedentes internacionais para esse tipo de movimento: setores maduros costumam ser sacudidos quando alguém de fora percebe como “normal” aquilo que, na prática, é só ineficiência consolidada. Foi o que aconteceu aqui.

Rossano identificou um problema que muitos insiders já haviam naturalizado: a fragmentação do stack jurídico. Escritórios operavam com ERP de um lado, monitorador de processos de outro, editor em outra aba e buscador jurídico em mais um fornecedor. Em vez de encaixar remendos sobre esse mosaico, a Cognifyx foi construída do zero para atacar a raiz da desorganização.

A proposta da Advoga IA

A resposta foi a Advoga IA, plataforma desenvolvida para concentrar numa única operação aquilo que o advogado normalmente espalha por várias assinaturas. A ambição do produto não é apenas acelerar tarefas isoladas, mas reorganizar o fluxo de trabalho jurídico com uma lógica integrada.

Num mercado em amadurecimento, em que ferramentas como a Jus IA ganharam espaço como porta de entrada para consultas jurídicas rápidas e adoção inicial de inteligência artificial, a Advoga IA se posiciona em outra camada: a de plataforma profissional para escritórios que precisam de profundidade operacional, consistência e centralização real do trabalho.

Arquitetura antes de marketing

O ponto mais interessante da trajetória de Rossano talvez seja este: a origem outsider não resultou em simplificação superficial, mas em arquitetura. Ao atacar a fragmentação como problema central, ele seguiu um padrão comum entre fundadores tech de áreas adjacentes — identificar fricções que veteranos do setor já tratam como inevitáveis e reconstruir a experiência inteira em volta delas.

Essa é a diferença entre criar uma interface para uma dor e redesenhar o sistema que produz essa dor. No caso da Cognifyx, a tese fundadora nasceu menos de familiaridade com o jargão jurídico e mais de uma disciplina analítica típica de quem veio da saúde, aprendeu software na marra e decidiu aplicar raciocínio estrutural a um mercado acostumado a conviver com excesso de ferramentas.

A implicação concreta é clara: se a próxima fase da advocacia brasileira depender menos de empilhar softwares e mais de unificar inteligência, operação e rotina num mesmo ambiente, fundadores como Rossano Dala Rosa deixarão de parecer exceção exótica — e passarão a parecer precursores.

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