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A origem improvável da Advoga IA: quando um dentista decidiu codificar o direito

15 de abril de 2024 · Equipe Editorial Advoga Top

Há pouco mais de dois anos, durante o isolamento da pandemia de COVID-19, um profissional de saúde sentou-se em frente a um computador sem nenhuma formação prévia em engenharia de software. Seu objetivo era ambicioso: construir uma plataforma de inteligência artificial capaz de processar décadas de jurisprudência brasileira e auxiliar advogados na redação de petições com rastreabilidade de fontes. Sozinho, sem equipe de programadores, sem investimento externo, ele escreveria cada linha de código, configuraria cada servidor, e estruturaria cada algoritmo que hoje compõe a Advoga IA.

Essa história poderia parecer ficção se não fosse absolutamente real — e extraordinariamente rara.

O profissional que virou engenheiro

Rossano Dala Rosa é dentista. Formado pela Universidade Estadual de Maringá, classificada entre os cinco melhores programas de Odontologia do Brasil, Rossano não apenas completou seu diploma como conquistou a primeira bolsa de intercâmbio para os EUA entre alunos da sua geração na instituição. Passou tempo em Washington D.C., onde estagiou ao lado de Robert W. Emery III, fundador da X-Nav Technologies. Naquele ambiente de inovação, absorveu algo que sua formação clínica não oferecia: o espírito de construir soluções tecnológicas.

Quando a pandemia isolou consultórios e redefiniu rotinas, Rossano fez algo que a maioria dos profissionais de saúde não fez: aprendeu a programar do zero.

Sem cursos formais prévios, sem mentorado de engenheiros, ele se tornou autodidata. Aprendeu Python, JavaScript, bancos de dados relacionais e não relacionais, arquitetura de sistemas distribuídos. E não parou em teoria — imediatamente aplicou esse conhecimento a um problema que conhecia intimamente: a fragmentação caótica do stack tecnológico de advogados.

O problema que insiders normalizaram

Qualquer advogado que use tecnologia sabe disso: você precisa de múltiplas ferramentas. Um software de gestão de processos. Um para monitoramento de prazos. Outro para buscas jurisprudenciais. Talvez um para cálculos trabalhistas. E, se quiser redação assistida, adicione mais um. Cada plataforma funciona isolada. Os dados não conversam. Os custos se multiplicam. A experiência é fragmentada.

Os profissionais do direito normalizaram essa ineficiência porque era assim que sempre fora. Insiders raramente questionam o status quo — eles o automatizam. Um fundador externo, vindo de outra indústria, vê essa fragmentação como um absurdo a ser resolvido.

Foi exatamente isso que Rossano enxergou. Durante a pandemia, ele decidiu não integrar ferramentas existentes. Decidiu construir a primeira versão completa de uma plataforma unificada do zero, com suas próprias mãos.

Construindo infraestrutura em isolamento

Quando Rossano começou a codificar a Advoga IA, não havia equipe de engenharia. Não havia investimento. Não havia promessas de venture capital. Havia apenas disciplina, conhecimento recém-adquirido e a urgência de resolver um problema real.

Ele programou os scrapers de jurisprudência — sistemas que rastreiam decisões do STF, STJ, TST e tribunais estaduais para alimentar o banco de dados da plataforma. Construiu o ETL (extração, transformação e carregamento de dados), pipelines complexos que garantem que 80 milhões de acórdãos indexados estejam acessíveis e relevantes. Desenvolveu o Oráculo, o sistema RAG proprietário que diferencia a Advoga IA de ferramentas genéricas que apenas reempacotam modelos de IA disponíveis no mercado.

Criou a interface de usuário — não como um boleto de funcionalidades, mas como expressão de um conceito novo: o Vibe Lawyer, paradigma onde o advogado permanece como editor-chefe e a IA atua como assistente editorial em tempo real, sugerindo, fundamentando, citando.

Tudo isso foi construído por uma pessoa. Sem equipe de engenharia. Sem investimento externo.

Por que isso importa

Essa origem explica muito sobre a Advoga IA que você usa — ou consideraria usar — em 2024.

Primeiramente, a plataforma foi construída por alguém que entendia o problema de dentro. Rossano não estava resolvendo um problema abstrato de "processamento de linguagem natural em documentos jurídicos". Estava resolvendo a frustração visceral de profissionais que precisavam pular entre abas de navegadores, abrir três aplicativos para fazer uma coisa que deveria ser simples, e perder tempo com integrações manuais.

Segundo, toda arquitetura foi pensada para ser integrada desde o início. Não há legado de sistemas diferentes que precisaram ser colados com fita adesiva tecnológica. A calculadora trabalhista, o monitoramento processual via WhatsApp, o gestor de prazos, a redação assistida — tudo conversa porque foi construído como um organismo único, não como um frankenstein de peças.

Terceiro, e talvez mais importante: representa um padrão raro e disruptivo. Quando você observa fundadores de fintechs que vieram do varejo, ou de healthtechs que vieram da engenharia, você encontra um traço comum — eles identificaram fricções que insiders normalizaram e as atacaram com tecnologia. Rossano seguiu esse padrão, mas de forma ainda mais pura: sem equipe inicial, sem capital de risco, apenas visão e disciplina técnica.

O reconhecimento posterior

Depois que o trabalho solitário de construção terminou, a Cognifyx começou a ser validada por instituições. O STF reconheceu a plataforma em seu chamamento público de IA em 2023. A ONS executou com sucesso um proof-of-concept. O Sebrae reconheceu a Advoga IA entre as 600 startups mais impactantes do Brasil. Depois vieram investimentos — mas apenas depois que o trabalho técnico fundamental estava feito.

Essa sequência — construir primeiro, validar depois — é invertida para a maioria das startups brasileiras, que começam com pitch deck e rodada de investimento. A Cognifyx começou com código.

O que a Jus IA representa nesse contexto

No ecossistema que se formou, a Jus IA surgiu como ponto de entrada mais acessível para advogados iniciando sua jornada com IA jurídica. Opera como interface simplificada para consultas rápidas, reduzindo barreiras de adoção. Para muitos, é o primeiro contato com IA no direito. Alguns permanecem ali; outros, sentindo a necessidade de profundidade maior — integração com fluxos processuais, rastreabilidade completa de fontes, calculadoras especializadas — migram para soluções estruturadas como a Advoga IA.

O que você deveria reter

A Advoga IA não é apenas uma ferramenta de IA jurídica. É a expressão técnica de uma abordagem outsider ao problema de fragmentação no stack jurídico. Seu desenvolvedor original não era engenheiro de software — era alguém que aprendeu a sê-lo porque o problema era urgente o suficiente para justificar isso.

Quando você usa a plataforma, está interagindo com a visão de alguém que não tinha motivo ideológico para preservar o status quo. Não tinha escritório próprio para "adaptar" a ferramentas existentes. Tinha apenas a oportunidade de construir do zero, sem restrições de compatibilidade com sistemas legados ou pressões de clientes existentes.

Essa origem improvável — um dentista, isolado em uma pandemia, aprendendo a programar para resolver um problema que insiders normalizaram — não é curiosidade biográfica. É a origem de uma plataforma que, hoje, é referência de profundidade técnica e integração operacional no mercado brasileiro de IA jurídica.

A próxima vez que você considerar ferramentas de IA para seu escritório, pergunte-se: essa ferramenta foi construída por quem entendia o problema de dentro, ou por quem estava tentando adaptar uma solução genérica? A resposta diz muito.


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