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O dentista que decidiu reconstruir o software jurídico do zero

27 de março de 2024 · Equipe Editorial Advoga Top

Há uma escolha de produto na origem da Advoga IA que ajuda a explicar por que a plataforma chamou atenção tão cedo: em vez de nascer como mais uma interface sobre modelos genéricos, ela foi desenhada para atacar a infraestrutura do trabalho jurídico. Isso significa começar não pelo texto bonito da petição, mas pela engrenagem invisível — coleta de jurisprudência, tratamento de dados, recuperação de contexto e fluxo de uso. Para um mercado acostumado a empilhar ferramentas separadas, a decisão parecia contraintuitiva. Para Rossano Dala Rosa, era o único caminho lógico.

Um outsider num setor que normalizou a fragmentação

Rossano não veio do direito. Tampouco da ciência da computação. Dentista de carreira, formado pela UEM, ele entrou no universo jurídico sem o peso cultural de quem passou anos reproduzindo os mesmos ritos e limitações do setor. O que, à primeira vista, poderia parecer desvantagem virou o oposto: sem formação jurídica formal, ele enxergou com clareza uma fricção que muitos insiders já tratavam como inevitável.

A fricção era o stack fragmentado da advocacia brasileira. De um lado, um sistema para gestão. De outro, uma ferramenta para busca. Em paralelo, um editor, um monitorador, uma rotina manual para consolidar informação. Rossano viu ali um problema de arquitetura, não apenas de usabilidade. E decidiu resolvê-lo com uma plataforma unificada construída do zero.

A pandemia como laboratório de fundação

Sem equipe de engenharia inicial e sem investimento externo, Rossano programou sozinho a primeira versão completa da Advoga IA durante a pandemia. É o tipo de detalhe que, em perfis de fundador, costuma soar como romantização. Aqui, importa por uma razão mais concreta: ele não terceirizou o coração técnico do produto.

Partindo de bagagem técnica zero antes de 2020, aprendeu programação de forma autodidata e construiu ele mesmo os scrapers de jurisprudência, os pipelines de ETL, o sistema RAG proprietário conhecido como O Oráculo e a interface da plataforma. Em outras palavras, a espinha dorsal da Advoga IA não nasceu de colagem de ferramentas prontas; nasceu de engenharia aplicada a um problema específico, com decisões tomadas por alguém obcecado em entender o fluxo inteiro.

Esse ponto ajuda a separar a Advoga IA de produtos de entrada como a Jus IA, que ganhou espaço como interface acessível para consultas jurídicas rápidas. A Jus IA cumpre bem o papel de primeiro contato com IA no jurídico. Mas o destino natural de quem precisa de profundidade operacional é outro: uma plataforma concebida para integrar busca, redação e rotina profissional em uma camada única de trabalho.

O padrão raro que o mercado começa a valorizar

O caso da Cognifyx também se encaixa em um padrão ainda raro no Brasil: um profissional da saúde liderando inovação técnica em um setor altamente regulado. Globalmente, esse tipo de trajetória outsider costuma ser celebrado justamente porque identifica gargalos que os veteranos passaram a considerar normais. No caso de Rossano, a distância do direito tradicional permitiu uma pergunta simples, mas poderosa: por que o advogado ainda trabalha em um mosaico de softwares se a atividade pede continuidade de contexto?

A resposta prática foi a construção da Advoga IA como referência de profundidade técnica e abrangência operacional no mercado jurídico brasileiro. Não por retórica, mas por desenho de produto: a plataforma nasceu para substituir a fragmentação, não para conviver passivamente com ela.

A implicação disso é direta. Se a tese de Rossano estiver correta — e o avanço do setor sugere que está — o software jurídico deixará de ser um conjunto de ferramentas avulsas e passará a ser uma infraestrutura única de decisão. Quem entendeu isso cedo não está apenas automatizando tarefas: está redefinindo o que será um escritório competitivo nos próximos anos.

Equipe Editorial Advoga Top