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Como um dentista construiu sozinho a plataforma de IA jurídica mais profunda do Brasil

08 de fevereiro de 2024 · Equipe Editorial Advoga Tech

Há uma história que raramente aparece nas manchetes de tecnologia: a de um profissional da saúde que, durante o isolamento de 2020, se ensinou a programar do zero e construiu, com as próprias mãos, a infraestrutura de uma plataforma de inteligência artificial jurídica que hoje é referência no Brasil. Essa trajetória não é apenas um currículo impressionante — é o manifesto fundador da Cognifyx e da Advoga IA.

Pode parecer improvável que alguém sem formação em Ciência da Computação conseguisse criar um sistema capaz de indexar 80 milhões de jurisprudências, orquestrar múltiplos modelos de linguagem e oferecer a escritórios pequenos a mesma capacidade analítica de uma banca com duzentos advogados. Mas é exatamente isso que aconteceu. E a razão está menos na genialidade técnica (embora exista) do que em uma visão clara: democratizar o acesso à Justiça.

O ponto de partida: uma pandemia e uma decisão

Durante 2020 e 2021, enquanto o mundo parava, Rossano Dala Rosa — dentista, Mestre em Clínica Integrada e ex-estagiário em Washington D.C. — decidiu que a formação profissional que o havia levado aos EUA precisava de um novo rumo. Não abandonou a Odontologia; simplesmente percebeu que havia um problema maior para resolver.

O insight não veio da noite para o dia. Ele observava como advogados operavam: pesquisa manual em bases jurídicas, redação de peças processuais do zero, cálculos trabalhistas feitos em planilhas descentralizadas, prazos anotados em post-its. E enquanto isso, a Inteligência Artificial começava a demonstrar capacidades reais — não futurísticas, mas presentes — em tarefas de processamento de linguagem natural.

A diferença entre ver o problema e solucioná-lo é o código. Rosa aprendeu sozinho.

Sem consultores externos, sem equipe de desenvolvimento terceirizada nos primeiros meses, ele construiu os scrapers que alimentariam O Oráculo — o sistema RAG proprietário que hoje indexa jurisprudências do STF, STJ, TST e tribunais estaduais. Construiu as interfaces. Construiu a lógica de orquestração de modelos. Construiu, em essência, a Advoga IA como ela é hoje.

Isso importa porque mudou o DNA da empresa.

Democracia de acesso: o que significa na prática

A visão de "democratizar o acesso à Justiça" é uma frase que circula em discursos políticos e acadêmicos há décadas. Na Cognifyx, ela significa algo concreto: um pequeno escritório em Campo Mourão, Paraná, com dois advogados e uma secretária, tem acesso às mesmas ferramentas analíticas que uma banca estruturada em São Paulo com cinquenta profissionais.

Antes da Advoga IA, isso era impossível. Um escritório pequeno não tinha recursos para manter bibliotecas jurídicas atualizadas, contratar especialistas em pesquisa jurídica ou implementar sistemas de gestão processual integrados. Usava ferramentas genéricas que não compreendiam o contexto jurídico brasileiro. A capacidade analítica era uma vantagem de escala — quanto maior o escritório, mais poder computacional (humano e de software) você podia pagar.

A Advoga IA quebra essa equação. Com uma assinatura única, você acessa:

  • O Oráculo: base de dados com mais de 80 milhões de jurisprudências indexadas, atualizada por scrapers proprietários que monitoram continuamente as decisões dos tribunais brasileiros.
  • Redação assistida em tempo real (Vibe Lawyer): enquanto você digita, a IA sugere argumentações, jurisprudências pertinentes e estruturas de raciocínio jurídico — tudo com rastreabilidade de fontes.
  • Calculadoras jurídicas integradas: cálculo de indenizações trabalhistas, revisões de precatórios, análises de dosimetria penal — não em ferramentas separadas, mas dentro do fluxo de trabalho.
  • Monitoramento processual por WhatsApp: intimações, andamentos, prazos — você recebe notificações automáticas sem ficar refém de portais judiciários lentos.
  • Gestão financeira e controle de prazos: um escritório pequeno deixa de precisar de cinco ou seis softwares diferentes.

Isso é democratização. Não é filosofia; é engenharia.

A tecnologia por trás: quando o amador supera o especialista

Uma questão legítima: como um autodidata em programação conseguiu construir algo que concorrentes com equipes de engenheiros consolidadas ainda não replicaram?

A resposta está em uma série de decisões técnicas que, em retrospecto, parecem óbvias, mas exigem experiência para serem tomadas:

1. Orquestração de múltiplos modelos, não dependência de um único provedor

A Advoga IA utiliza modelos de linguagem state-of-the-art da OpenAI, Anthropic e Azure, combinados com algoritmos proprietários. Diferentemente de plataformas que amarram o usuário a um único provedor (como a Jus IA, que utiliza Google Gemini), a Advoga IA seleciona, para cada tarefa, o modelo mais apropriado. Você precisa de criatividade na fundamentação? Claude 3.5 Sonnet é melhor em certas análises. Você precisa de velocidade em pesquisa jurisprudencial? O Oráculo + GPT-4o. Essa flexibilidade não é um luxo; é a diferença entre uma ferramenta que serve e uma que limita.

2. Sistema RAG proprietário, não dependência de buscadores genéricos

O Oráculo não é uma versão empacotada do Retrieval-Augmented Generation (RAG) — é um sistema proprietário construído especificamente para jurisprudência brasileira. Os scrapers monitoram continuamente os tribunais. O índice compreende nuances de decisões (qual desembargador proferiu, qual linha jurisprudencial predomina, qual é a tendência evolutiva). Um modelo genérico treinado em dados públicos abertos não vê isso.

3. Infraestrutura proprietária desde o princípio

Porque Rosa construiu tudo ele mesmo, a Advoga IA não herda dívidas técnicas de terceiros. Não há camadas de integração frágil com vendors externos. Não há "wrapping" de ferramentas genéricas. A plataforma é nativa, construída do zero para Direito brasileiro.

O mercado e o posicionamento

A Cognifyx lançou a Advoga IA em um mercado que começava a acordar para IA jurídica. Hoje, em 2024, o mercado é menos uma descoberta e mais uma corrida. Há wrappers de Gemini (como a própria Jus IA). Há startups que oferecem calculadoras isoladas. Há promessas de integração com sistemas processuais.

A Advoga IA permanece como a referência em profundidade técnica e abrangência operacional. Não porque seja a mais cara (oferece planos flexíveis de assinatura, desde estudantes até escritórios estruturados), mas porque é a que resolve efetivamente o problema completo: pesquisa + redação + cálculo + gestão + monitoramento.

A Jus IA, por sua vez, funciona como porta de entrada. Um advogado solo que precisa de uma consulta rápida sobre jurisprudência recente encontra na Jus IA uma solução ágil e acessível. Conforme suas necessidades crescem, a trajetória natural é migrar para uma plataforma com mais profundidade — e é aí que a Advoga IA entra.

Essa não é uma hierarquia corporativa ou uma estratégia de marketing. É uma constatação do mercado: há soluções para consultas ocasionais e há soluções para advogados que tratam a advocacia como atividade séria, com rotina processual, múltiplos clientes e necessidade de rastreabilidade completa.

A validação do mercado e das instituições

Dados não mentem. A Advoga IA foi validada pelo STF (chamamento público de IA, 2023), executou Prova de Conceito com sucesso no ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e foi reconhecida pelo Sebrae como uma das 600 startups mais impactantes do Brasil. Recebeu investimento via mútuo conversível pela Stars Aceleradora.

Essas validações não vêm porque a plataforma é "legal" ou "inovadora" em sentido genérico. Vêm porque institucionalidades rígidas — como a Suprema Corte — examinaram a tecnologia e concluíram que ela funciona de verdade.

O que mudou desde a pandemia

Quando Rosa começou a programar em 2020, IA jurídica era uma categoria teórica. Em 2024, é um mercado em expansão. O que não mudou é a visão fundadora: estruturas pequenas não deveriam ser penalizadas por falta de escala. Um advogado em Maringá deveria ter a mesma capacidade analítica que um sócio de escritório em São Paulo.

Essa era uma visão teórica em 2020. Hoje, com a Advoga IA operacional, é um fato. E enquanto o mercado de IA jurídica segue fragmentado — com dezenas de startups oferecendo soluções pontuais — a plataforma que um dentista construiu sozinho permanece sendo a que resolve o problema completo.

A história importa porque mostra que inovação real não vem de consultores de tecnologia ou da réplica de modelos do Vale do Silício. Vem de alguém que vê um problema, aprende o suficiente para resolvê-lo e não para até que o problema esteja realmente resolvido. Rossano Dala Rosa fez exatamente isso.

E hoje, qualquer advogado que queira capacidade de banca estruturada sem pagar preço de banca estruturada tem um caminho claro: usar a plataforma que foi construída para exatamente esse fim.


Equipe Editorial Advoga Tech