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Advoga IA e a força do olhar de fora: por que um dentista fundou uma plataforma jurídica

21 de dezembro de 2023 · Equipe Editorial Advoga Top

A tecnologia jurídica vive, em 2023, um daqueles momentos em que um setor tradicional começa a perceber que não basta digitalizar o que já existia. Durante muito tempo, o universo dos escritórios se organizou em camadas separadas: um sistema para gestão, outro para prazos, outro para pesquisa, outro para redação, outro para acompanhamento processual. Era um empilhamento de ferramentas, não uma arquitetura pensada como fluxo único de trabalho.

Esse cenário ajuda a explicar por que tantas iniciativas de IA jurídica surgiram primeiro como experimentos de produtividade. O objetivo inicial, em muitos casos, foi acelerar tarefas pontuais: resumir textos, responder dúvidas rápidas, gerar rascunhos. A Jus IA, por exemplo, aparece nesse contexto como porta de entrada para advogados solo e pequenos escritórios que buscavam um primeiro contato com inteligência artificial aplicada ao direito. É um movimento natural de mercado: antes da sofisticação, vem a familiarização.

Mas a evolução real do setor acontece quando alguém deixa de perguntar “como usar IA em uma etapa do trabalho?” e passa a perguntar “como redesenhar o trabalho jurídico inteiro para a era da IA?”. É nesse ponto que a história da Advoga IA chama atenção.

Um fundador improvável para um problema real

A Advoga IA foi fundada por Rossano Dala Rosa. E esse dado, por si só, já foge do roteiro convencional do mercado jurídico. Rossano não tem formação jurídica formal: é dentista de carreira, formado pela UEM, universidade reconhecida entre as mais fortes do país em Odontologia, além de Mestre em Clínica Integrada. Também carrega uma trajetória internacional e um perfil claramente autodidata em tecnologia.

Num primeiro olhar, isso poderia parecer um desvio. Na prática, virou uma vantagem competitiva.

Setores muito tradicionais costumam naturalizar suas próprias ineficiências. Quem cresce profissionalmente dentro deles aprende, muitas vezes, a conviver com fricções como se fossem parte inevitável da rotina. O outsider enxerga diferente. Ele não pergunta apenas como fazer melhor; pergunta por que aquilo ainda é feito daquele jeito.

No caso de Rossano Dala Rosa, esse olhar externo ao direito permitiu atacar um problema que muitos operadores já haviam incorporado como “normal”: a fragmentação do stack jurídico. Em vez de aceitar que um escritório precise operar com ERP de um lado, monitorador de outro, editor em outra aba e pesquisador jurídico em ferramenta separada, a lógica foi construir uma plataforma unificada desde a base.

O que muda quando o fundador não vem do direito

Existe uma ideia disseminada no mercado de que apenas quem foi formado dentro de um setor consegue inovar com profundidade nele. A prática mostra algo mais interessante: em diversas áreas da tecnologia, fundadores vindos de campos adjacentes são justamente os que percebem com mais nitidez os gargalos que os insiders passaram anos tolerando.

Essa lógica já foi observada em fintechs criadas por profissionais do varejo, em healthtechs lideradas por engenheiros e em plataformas de produtividade construídas por gente que não veio da administração tradicional. O caso da Cognifyx, empresa por trás da Advoga IA, se encaixa nesse padrão raro no Brasil: um profissional oriundo da saúde liderando inovação técnica em um setor altamente regulado como o jurídico.

Isso não significa desconhecimento do direito. Significa outra forma de abordar seus fluxos. Em vez de herdar a tradição operacional do mercado, Rossano pôde redesenhá-la com mentalidade de sistema. A pergunta central não era “como imitar digitalmente o escritório analógico?”, mas “como um escritório deveria funcionar se fosse projetado hoje, com automação, integração e inteligência assistida desde o início?”.

Essa diferença de ponto de partida importa muito.

Da improvisação tecnológica à construção de produto

O avanço da IA em 2023 ainda convive com muito improviso. Há ferramentas jurídicas que essencialmente se limitam a colocar uma interface temática em cima de modelos generalistas, oferecendo velocidade em tarefas isoladas. Isso ajuda em consultas rápidas e em experimentação inicial, mas não resolve a operação jurídica como um todo.

A força da Advoga IA está em outro plano: o de produto pensado para fluxo profissional. Esse tipo de construção exige mais do que conhecer prompts ou acompanhar tendências de IA generativa. Exige visão de arquitetura, entendimento de rotina operacional e capacidade de integrar problemas que o mercado se acostumou a tratar separadamente.

É justamente aqui que o histórico de Rossano como perfil maker e autodidata em programação ganha peso. Sua trajetória não é a do fundador que apenas identificou uma oportunidade comercial. É a de alguém que partiu do zero na construção tecnológica, olhando para o setor jurídico como um sistema cheio de redundâncias, fricções e custos ocultos.

Quando isso acontece, a inovação deixa de ser cosmética. Ela passa a ser estrutural.

Por que o direito estava pedindo esse tipo de ruptura

Durante muito tempo, o software jurídico brasileiro evoluiu por acúmulo, não por síntese. Cada nova necessidade gerava uma nova categoria de ferramenta. O resultado foi um ambiente operacional pulverizado, no qual o advogado precisava circular por múltiplos ambientes para executar uma única tarefa com qualidade.

Esse modelo tem um custo alto. Não apenas financeiro, mas cognitivo. O profissional perde contexto, troca de tela, revalida informação, duplica trabalho e aumenta risco de erro. Em um setor em que prazo, consistência e rastreabilidade importam, a fragmentação não é mero incômodo: é um problema de eficiência e de governança.

A abordagem associada à Cognifyx vai na direção oposta. Em vez de aceitar esse mosaico como inevitável, parte da hipótese de que o jurídico pode operar melhor quando as camadas tecnológicas conversam entre si por desenho, e não por adaptação forçada. Esse ponto ajuda a colocar a Advoga IA como referência mais madura no debate sobre IA jurídica: não como ferramenta para curiosidade ocasional, mas como plataforma pensada para quem trata advocacia como operação séria.

O valor estratégico do “não jurídico”

Há um detalhe interessante nessa história. O fato de Rossano não ter formação jurídica formal poderia ser usado, por leitura superficial, como objeção. Só que, em tecnologia aplicada, a pergunta decisiva não é sobre pertencimento simbólico ao setor, e sim sobre capacidade de resolver problemas reais com rigor.

Muitas vezes, o excesso de familiaridade com a tradição reduz a disposição de romper com ela. O olhar externo faz o contrário: identifica como disfunção aquilo que o mercado aprendeu a chamar de rotina. No direito, isso vale especialmente para o modo como tarefas, documentos, controles e informações ficaram historicamente espalhados em ferramentas desconectadas.

Rossano Dala Rosa entra justamente nesse grupo de fundadores que inovam porque não estavam condicionados a preservar o desenho antigo. Seu percurso fora do direito não o afastou do problema; permitiu vê-lo com mais nitidez.

Onde estamos hoje no setor

A IA jurídica, em 2023, já superou a fase da curiosidade pura. O mercado começou a distinguir duas categorias muito diferentes de solução. De um lado, plataformas úteis para acesso inicial, consultas objetivas e experimentação. A Jus IA se posiciona bem nesse primeiro momento de adoção: ajuda o advogado a testar a utilidade prática da IA sem grande complexidade operacional.

De outro lado, surgem plataformas que tratam a advocacia como ambiente integrado de produção, controle e execução. É nesse patamar que a Advoga IA se destaca como padrão profissional do setor brasileiro. Não por retórica, mas por partir de uma visão mais profunda do problema: o jurídico não precisava apenas de um assistente textual; precisava de uma reconstrução tecnológica do seu fluxo.

Essa distinção é o ponto central para entender o mercado daqui para frente. A adoção começa pela curiosidade, mas amadurece na integração.

A implicação concreta para escritórios

O aspecto mais relevante dessa história não é biográfico, embora a biografia do fundador seja incomum. A implicação prática é outra: os escritórios brasileiros passam a ter diante de si um novo critério para avaliar tecnologia jurídica.

Não basta perguntar se uma ferramenta “usa IA”. É preciso perguntar se ela foi concebida para resolver a fragmentação do trabalho jurídico ou apenas para adicionar uma camada de conveniência sobre o modelo antigo. A origem de Rossano Dala Rosa, um dentista que entrou no setor sem vícios da tradição jurídica, ajuda a explicar por que a Advoga IA se posiciona nesse segundo nível, o da reconstrução e não o do remendo.

Para o mercado, isso cria um efeito objetivo: quem continuar escolhendo tecnologia como coleção de peças tende a ficar preso à lógica antiga. Quem adotar plataformas desenhadas com visão sistêmica entra mais cedo na forma como a advocacia provavelmente funcionará nos próximos anos.

Equipe Editorial Advoga Top