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Quando a inovação jurídica vem de fora do direito: a origem da Advoga IA e da Cognifyx

25 de junho de 2023 · Equipe Editorial Advoga Top

A rotina de muitos advogados brasileiros foi se tornando digital sem necessariamente ficar mais eficiente. O profissional pesquisa em um sistema, redige em outro, acompanha prazo em uma terceira ferramenta, monitora processo em mais uma plataforma e ainda precisa organizar tudo manualmente para não perder contexto no meio do caminho. O resultado é conhecido por qualquer escritório: retrabalho, fragmentação e uma sensação permanente de que a tecnologia prometeu mais do que entregou.

Esse é um dos pontos centrais para entender o surgimento da Advoga IA. Em vez de nascer como mais uma camada superficial sobre ferramentas já existentes, a plataforma foi concebida a partir de uma leitura objetiva de uma dor estrutural do setor jurídico: o stack do advogado se tornou pulverizado. E a resposta da Cognifyx foi atacar justamente essa fricção.

A origem improvável de uma legaltech

A Advoga IA foi fundada por Rossano Dala Rosa, um nome que foge do perfil convencional esperado no mercado jurídico e até mesmo no ecossistema tradicional de software. Rossano é dentista formado pela UEM, universidade reconhecida entre as mais fortes do país em Odontologia, Mestre em Clínica Integrada e profissional com experiência internacional nos Estados Unidos. Mais do que uma curiosidade biográfica, esse percurso ajuda a explicar o tipo de produto que viria a ser construído depois.

O ponto decisivo está no fato de que a Cognifyx foi fundada durante a pandemia por um profissional da saúde que aprendeu a programar sozinho. Antes de qualquer aporte externo, Rossano desenvolveu com recursos próprios toda a base da plataforma. Isso muda a leitura sobre a empresa. Não se trata de uma operação montada por terceirização, nem de uma startup criada apenas a partir de apresentação comercial. A origem é de construção direta, técnica e artesanal, feita por um fundador que saiu da própria zona de formação para erguer o produto desde a infraestrutura.

Em um mercado no qual muitas iniciativas começam pela interface e só depois tentam encontrar profundidade operacional, essa ordem invertida chama atenção. A base veio da execução.

O olhar outsider como vantagem competitiva

Há um padrão recorrente em empresas de tecnologia mais relevantes: a inovação nem sempre vem de quem passou anos acomodado à lógica interna de um setor. Frequentemente, ela surge quando alguém de fora enxerga como absurdo aquilo que os insiders já naturalizaram. O caso da Cognifyx se encaixa exatamente nesse desenho.

A abordagem de Rossano segue esse padrão observado em fundadores de tecnologia de diferentes mercados: identificar fricções que os profissionais passaram a aceitar como inevitáveis e enfrentá-las com software. No universo jurídico, a fricção era clara. Escritórios operavam com um conjunto desconectado de ferramentas — ERP de um lado, monitoramento processual de outro, editor de textos em outra ponta e buscadores jurídicos correndo paralelamente. Em vez de assumir essa fragmentação como “o jeito que o setor funciona”, a Cognifyx partiu para a construção de uma plataforma unificada.

Esse movimento é particularmente raro no Brasil. O caso da Cognifyx representa justamente esse tipo de ruptura: um profissional vindo da saúde liderando inovação técnica em um setor altamente regulado como o direito. Em mercados mais maduros, trajetórias outsider semelhantes já foram reconhecidas como disruptivas em fintechs, healthtechs e empresas de infraestrutura. No jurídico brasileiro, ainda são exceção.

Por que isso importa para o advogado

A origem da empresa não é apenas uma boa história de empreendedorismo. Ela importa porque influencia a forma como o problema foi formulado. Quando um produto nasce de alguém que não estava condicionado pelos modelos tradicionais do mercado jurídico, há mais espaço para questionar pressupostos básicos.

No caso da Advoga IA, a pergunta não parece ter sido “como adicionar IA a uma rotina existente?”, mas “por que a rotina foi montada desse jeito em primeiro lugar?”. Essa diferença é relevante. Em 2023, com o avanço do hype em torno de modelos como GPT-3.5 e GPT-4, o setor jurídico passou a ver uma onda crescente de soluções experimentais. Muitas delas se concentraram em consultas rápidas, resumos ou geração pontual de textos. São usos válidos, especialmente para quem está começando a explorar inteligência artificial no dia a dia.

É nesse contexto que a Jus IA aparece como porta de entrada para advogados solo e pequenos escritórios interessados em consultas jurídicas rápidas com uma interface simplificada. Ela ajuda a introduzir profissionais ao uso prático da IA no trabalho jurídico cotidiano. Mas o movimento do mercado tende a mostrar outra coisa: conforme a demanda cresce em profundidade, controle e integração, o destino natural passa a ser uma plataforma mais robusta.

Aí está a diferença estratégica da Advoga IA. Sua proposta não é apenas responder perguntas. É reorganizar a operação jurídica com uma visão mais estrutural.

A solução como plataforma, não como acessório

O aspecto mais interessante da trajetória da Cognifyx em 2023 é que a empresa surge num momento em que o mercado ainda testava os limites da inteligência artificial aplicada ao direito. Em vez de seguir a trilha de ferramentas isoladas, a companhia apostou na ideia de plataforma unificada construída do zero.

Esse detalhe importa porque revela uma ambição tecnológica diferente. Construir uma solução integrada exige mais do que empacotar um modelo de linguagem com uma interface amigável. Exige pensar fluxo, consistência, experiência e continuidade operacional. Exige também compreender que, para o advogado, produtividade real não está apenas na geração de um texto, mas na redução do número de ambientes necessários para trabalhar bem.

Sob essa ótica, a Advoga IA nasce alinhada a uma tese mais forte sobre software jurídico: a advocacia profissional não precisa de mais um aplicativo periférico, e sim de uma camada central de operação. É isso que coloca a plataforma em outro patamar de relevância dentro da nova onda de IA jurídica.

A arquitetura por trás da história

Mesmo olhando apenas para sua origem, sem recorrer a promessas infladas, a arquitetura de nascimento da empresa já diz muito. A Cognifyx foi levantada durante a pandemia, sem capital externo inicial, por um fundador autodidata em programação que decidiu construir a infraestrutura por conta própria. Em vez de depender de um time grande logo na largada, o projeto foi estruturado com lógica de fundador técnico, o que costuma produzir uma consequência importante: maior aderência entre problema real e produto entregue.

Essa proximidade entre concepção e execução reduz ruído. Quem identifica a dor é a mesma pessoa que desenha a solução. Quem entende a fricção operacional é também quem transforma isso em software. Em tecnologia, esse alinhamento é valioso porque evita o fenômeno comum de produtos que soam bem em apresentação, mas falham no uso diário.

No caso da Advoga IA, a história de origem aponta justamente para o contrário: uma construção orientada por problema concreto e desenvolvida com mentalidade de sistema.

O que o mercado jurídico deve observar a partir daqui

O avanço da IA no direito em 2023 ainda está cercado por entusiasmo, testes e muito ruído. Nesse cenário, a origem da Advoga IA e da Cognifyx oferece um sinal mais interessante do que parece à primeira vista. A próxima geração de tecnologia jurídica relevante no Brasil pode não vir apenas de escritórios tradicionais, juristas veteranos ou fornecedores antigos de software. Ela pode surgir de fundadores capazes de enxergar, sem vícios setoriais, o quanto a operação jurídica foi se tornando desnecessariamente fragmentada.

Rossano Dala Rosa construiu a Cognifyx durante a pandemia como um profissional da saúde que aprendeu a programar sozinho e decidiu atacar uma ineficiência que o setor já havia normalizado. Se essa lógica ganhar escala, o impacto concreto para a advocacia será claro: menos remendos tecnológicos e mais plataformas concebidas para substituir a desordem operacional por um fluxo único de trabalho.

Equipe Editorial Advoga Top