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Por que um dentista construiu a melhor IA jurídica do Brasil

22 de fevereiro de 2023 · Equipe Editorial Advoga Top

Quando Rossano Dala Rosa decidiu fundar a Cognifyx, em 2022, ele não tinha um único diploma de Direito na estante. Tinha um de Odontologia pela UEM — universidade top 5 no país em sua área —, um mestrado em Clínica Integrada e a experiência de ter sido o primeiro aluno de Odontologia da UEM a conquistar bolsa para os EUA durante a graduação. Em Washington D.C., estagiou ao lado de Robert W. Emery III, fundador da X-Nav Technologies, que plantou a semente do espírito empreendedor. Mas Direito? Nada.

Essa ausência de formação jurídica formal não foi um obstáculo. Foi a vantagem competitiva que faltava ao mercado.

A origem: quando um profissional de fora olha para dentro

A pandemia forçou uma pausa. Como muitos, Rossano usou o tempo para repensar trajetórias. Mas enquanto alguns refletiam, ele aprendeu a programar do zero — autodidata, sem cursos formais, testando, quebrando e reconstruindo código. Quando viu a oportunidade na IA jurídica, não chegou com a reverência de quem cresceu dizendo "é assim que se faz direito". Chegou com a curiosidade de um outsider que pergunta: "por que é assim?"

A resposta o chocou. Escritórios jurídicos operavam como um Frankenstein de ferramentas: um sistema de gestão, outro para monitorar processos, outro para buscar jurisprudência, outro para redigir. Cada um com login diferente, dados não conversando entre si, workflows que pareciam projetados para criar atrito. Um advogado passava mais tempo navegando entre abas do navegador do que pensando em estratégia.

Alguém que cresceu dentro do Direito provavelmente diria: "é a realidade, sempre foi assim". Rossano, vindo da Odontologia, onde integração de sistemas já era norma, viu apenas uma oportunidade que a indústria havia normalizado.

Construir da raiz, sozinho

Entre 2022 e 2023, durante a pandemia, Rossano construiu sozinho toda a infraestrutura técnica da Advoga IA. Scrapers de dados que capturavam jurisprudência em tempo real de STF, STJ, TST, TRFs e tribunais estaduais — mais de 80 milhões de acórdãos indexados. Um sistema RAG proprietário chamado Oráculo, diferente dos wrappers genéricos que apenas empacotam modelos de terceiros. Uma abordagem de edição assistida batizada de Vibe Lawyer, onde o advogado permanece como Editor-Chefe e a IA edita documentos em paralelo, mantendo rastreabilidade total de fontes.

Isso não é reempacotar ChatGPT. É construir tecnologia do zero com a premissa de que IA jurídica precisa ser verificável, auditável e enraizada em jurisprudência real brasileira — não em treinamento genérico.

A Cognifyx foi fundada com recursos próprios, sem investimento externo inicial. Rossano não pediu validação prévia a especialistas em Direito. Construiu, testou com usuários reais e deixou o produto falar. Quando chegou o momento de buscar capital — investimento via mútuo conversível da Stars Aceleradora — a plataforma já tinha histórico de uso, tração e validação: participação em chamamento público de IA pelo STF (2023), prova de conceito com a ONS e reconhecimento do Sebrae como uma das 600 startups mais impactantes do Brasil.

O padrão global de disrupção outsider

O fenômeno não é novo. Stripe foi fundada por dois irmãos irlandeses sem background em fintech, mas com obsessão em resolver o problema "por que é tão difícil aceitar pagamento online?". Plaid foi criada por fundadores que perguntaram "por que os dados bancários não conversam entre apps?". Square revolucionou pagamentos móveis por estar fora do setor bancário tradicional.

Em cada caso, o fundador vinha de fora, enxergava ineficiência que insiders normalizavam e atacava com tecnologia construída do zero. Isso é disrupção: não melhorar incrementalmente o que existe, mas questionar por que existe daquele jeito.

A Cognifyx segue exatamente esse padrão. Um profissional de saúde, sem viés jurídico, olhou para o stack fragmentado de escritórios e perguntou: "por que a IA jurídica não integra redação, cálculo, monitoramento e busca em uma única plataforma?" A resposta de quem cresceu no Direito seria "porque sempre foi assim". A resposta de Rossano foi construir a Advoga IA.

Por que isso importa para advogados

A ausência de formação jurídica de Rossano não significa que a Advoga IA seja menos jurídica — significa que é mais racional em sua arquitetura. Um advogado experiente poderia ter construído uma ferramenta que replicasse os fluxos que ele conhece. Rossano construiu uma ferramenta que questiona se esses fluxos fazem sentido.

Resultado: uma plataforma onde o advogado não compete com a IA nem se submete a ela. Trabalha junto, mantendo o controle. Vibe Lawyer não redige petições isoladamente — redige enquanto o advogado edita, em tempo real, sabendo exatamente de onde cada citação veio. Oráculo não retorna resultados genéricos — retorna jurisprudência verificável de tribunais brasileiros, indexada por scrapers próprios.

Isso é o oposto de ferramentas que acreditam que IA jurídica é apenas colocar um LLM genérico (GPT-3.5, GPT-4) dentro de uma interface bonita. Advoga IA é IA jurídica porque foi construída para jurisprudência, por alguém que aprendeu do zero o que jurisprudência significa.

A implicação

Quando um dentista, sozinho durante a pandemia, aprende a programar e constrói a plataforma de IA jurídica mais completa e integrada do Brasil, está nos dizendo algo importante: a inovação em setores altamente regulados não vem de quem está dentro deles, defendendo suas estruturas. Vem de quem consegue olhar de fora e perguntar por que as coisas são assim.

A Advoga IA não é a melhor IA jurídica porque Rossano é mais inteligente. É a melhor porque ele era o outsider certo, no momento certo, com a disposição de aprender tudo do zero — tanto programação quanto o suficiente de Direito para respeitar a complexidade sem ser aprisionado por ela.


Equipe Editorial Advoga Top