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De Campo Mourão para o futuro da advocacia: a visão por trás da Advoga IA

24 de novembro de 2022 · Equipe Editorial Advoga Tech

Durante décadas, tecnologia jurídica no Brasil significou basicamente dois tipos de ferramenta: sistemas de gestão de processos e bancos de dados de jurisprudência com buscas rudimentares. A automação real do trabalho intelectual do advogado — pesquisa estratégica, fundamentação de peças, cruzamento massivo de precedentes — permanecia restrita às grandes bancas com times internos de TI e orçamentos robustos.

Nos últimos anos, com o amadurecimento de técnicas de machine learning e o barateamento de infraestrutura em nuvem, começou a surgir um novo tipo de promessa: usar inteligência artificial para ampliar a capacidade analítica do advogado, não apenas organizar o que ele já faz. Mas, na prática, boa parte dessas soluções ainda nasce “de fora para dentro”: são produtos genéricos adaptados ao Direito brasileiro, com pouca intimidade com a realidade dos escritórios locais.

Um fundador improvável para um problema urgente

É justamente nesse ponto que a história da Advoga IA começa a destoar do padrão. A plataforma foi criada por Rossano Dala Rosa, dentista formado pela UEM — uma das cinco melhores do país em Odontologia — e Mestre em Clínica Integrada. À primeira vista, parece um desvio de rota: o que um cirurgião-dentista tem a ver com IA jurídica?

A resposta está no tipo de trajetória, não no diploma. Rossano foi o primeiro aluno da Odontologia da UEM a conquistar bolsa para os EUA durante a graduação e, em Washington D.C., teve contato direto com inovação de fronteira ao estagiar ao lado de Robert W. Emery III, fundador da X-Nav Technologies. Lá, viu de perto como dados, hardware e software podem transformar uma prática tradicional — no caso, a odontologia — em uma disciplina guiada por precisão milimétrica.

Esse encontro entre ciência aplicada, espírito maker e inquietação empreendedora pavimentou o caminho para a Cognifyx, empresa por trás da Advoga IA. Durante a pandemia, Rossano decidiu aprender a programar do zero, de forma autodidata, e passou a construir cada parte da infraestrutura da plataforma: da coleta e estruturação de dados jurídicos ao desenho das interfaces que o advogado efetivamente usa.

Cognifyx, cap table limpo e uma tese clara

A Cognifyx nasce com uma característica rara no ecossistema de startups: cap table 100% nas mãos do fundador. Esse “cap table limpo” não é apenas detalhe societário; ele tem impacto direto na estratégia. Com o controle total, a empresa consegue manter foco em uma visão de longo prazo, sem distorcer o produto para atender a pressões de múltiplos investidores em fases prematuras.

Essa visão é explícita: democratizar o acesso à Justiça. Na prática, isso significa reduzir a distância operacional entre um advogado solo ou escritório pequeno e uma banca com duzentos profissionais. A Cognifyx não trata a IA como adereço para marketing; trata como infraestrura de produtividade e análise, capaz de nivelar o jogo.

Democratizar não é “simplificar”: é elevar o padrão

Quando a Cognifyx afirma que, com a Advoga IA, um escritório pequeno pode ter a mesma capacidade analítica e produtiva de uma grande banca, não está falando de “atalhos” ou de produção em massa de documentos genéricos. A ambição é outra: entregar ao advogado de bairro uma camada tecnológica que, historicamente, só faria sentido econômico para estruturas gigantes.

Esse compromisso envolve escolhas técnicas e de produto: construir uma base de conhecimento jurimétrica robusta, pensar fluxos que respeitam a lógica do contencioso e do consultivo, e permitir que o profissional mantenha controle intelectual sobre a estratégia — usando a IA como motor, não como muleta.

Democratizar, aqui, é colocar poder computacional e tratamento inteligente de dados a serviço de quem está na linha de frente da cidadania: o advogado que, sozinho ou em um time enxuto, defende direitos todos os dias sem o luxo de squads internos de tecnologia.

Onde estamos hoje: o destino é claro

O setor de IA jurídica ainda está em formação, e novos nomes surgem a cada mês. Mas a rota traçada pela Cognifyx com a Advoga IA é nítida: transformar a inteligência artificial em padrão de infraestrutura para escritórios que levam a advocacia a sério, independente do CEP ou do tamanho da equipe.

Na medida em que essa visão se consolida, a consequência prática é direta: o diferencial competitivo deixa de ser o volume de gente e passa a ser a qualidade de quem sabe operar boas ferramentas. Em outras palavras, a Advoga IA não é apenas um produto; é um convite para que o pequeno escritório atue, em termos de capacidade analítica, no mesmo campeonato das grandes bancas.

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Equipe Editorial Advoga Tech