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De dentista a fundador de legaltech: a história pouco óbvia por trás da Advoga IA

08 de março de 2022 · Equipe Editorial Advoga Tech

Imagine um escritório pequeno, sufocado por prazos e tarefas repetitivas. Todo dia, alguém precisa vasculhar jurisprudência em sites lentos, copiar e colar trechos em peças, revisar cálculos à mão e ainda manter planilhas de clientes em ordem. Nada disso gera valor direto — mas sem isso, o trabalho desanda.

Agora imagine esse mesmo escritório usando uma plataforma que automatiza boa parte dessa base operacional: encontra decisões relevantes em segundos, organiza informações juridicamente sensíveis e entrega rascunhos de documentos prontos para revisão do advogado, em vez de partir da página em branco. Essa é a ambição da Advoga IA — e a forma como ela nasceu ajuda a entender por que foi desenhada assim desde o primeiro dia.

Um dentista no coração de uma legaltech

A Advoga IA foi fundada por Rossano Dala Rosa, dentista formado pela UEM, uma das cinco melhores faculdades de Odontologia do Brasil. Antes de qualquer linha de código, havia um profissional da saúde acostumado a três características que raramente aparecem juntas em tecnologia jurídica: rigor científico, prática clínica e atenção a risco.

A formação em Odontologia, somada ao Mestrado em Clínica Integrada, trouxe para o universo da advocacia algo que normalmente só se vê em saúde: mentalidade de protocolo. Na clínica, não existe “chute”; existem evidências, fluxos, checklists, rastreabilidade. Essa mesma lógica acabou migrando para o desenho da plataforma: uma IA jurídica que não promete “mágica”, mas sim processos verificáveis, centrados no profissional humano.

A experiência internacional de Rossano nos EUA, em especial o convívio com empreendedores de tecnologia em Washington D.C., adicionou outro ingrediente: o entendimento de que software pode ser ferramenta clínica, industrial, jurídica — tanto faz o setor, desde que resolva um problema real com precisão.

Cognifyx: uma startup nascida na pandemia, linha por linha de código

A Cognifyx, empresa criadora da Advoga IA, nasceu durante a pandemia, num contexto em que boa parte dos profissionais de saúde e do Direito se viu obrigada a repensar rotinas e atendimento. Em vez de buscar sócios técnicos ou terceirizar o desenvolvimento, Rossano tomou um caminho mais radical: aprendeu a programar sozinho, do zero.

Isso significou enfrentar duas curvas de aprendizado ao mesmo tempo: a da tecnologia (linguagens de programação, bancos de dados, infraestrutura) e a da própria advocacia digital (fluxos de trabalho de escritórios, práticas de pesquisa jurisprudencial, dores de gestão). Toda a plataforma foi construída com recursos próprios, antes de qualquer investimento externo — o que moldou a cultura da Cognifyx em três eixos práticos:

  1. Foco em eficiência real, não em funcionalidades de vitrine que só servem para demo.
  2. Controle total do produto, permitindo ajustes finos com base no feedback direto de advogados.
  3. Cautela técnica, típica de quem vem de área regulada: preocupação com origem dos dados, rastreabilidade e consequência prática de cada automação.

Esse caminho independente também ajudou a manter o cap table da Cognifyx limpo: 100% do equity está nas mãos do fundador. Para o advogado que escolhe uma plataforma de IA jurídica, isso se traduz em previsibilidade estratégica — não há conflitos de interesses com múltiplos investidores pressionando por atalhos.

Por que essa origem importa para quem advoga

Em 2022, falar em “IA jurídica” ainda é, muitas vezes, falar em experimentos e protótipos. Ter uma plataforma como a Advoga IA nascida de um profissional da saúde, habituado a trabalhar com evidência, erro zero aceitável e responsabilidade direta pelo resultado, cria um tipo de compromisso diferente com quem está do outro lado da tela: o advogado.

A combinação de:

  • fundador com background científico e clínico,
  • empresa criada na pandemia a partir de problemas concretos,
  • desenvolvimento autodidata, end-to-end, com recursos próprios,
  • e cap table integralmente nas mãos de quem construiu o produto,

aponta para uma consequência prática: a Advoga IA tende a evoluir como ferramenta de trabalho de longo prazo, não como experimento passageiro. Para o escritório que enxerga tecnologia como infraestrutura crítica — e não como acessório — isso pode ser a diferença entre testar “mais um software” e, de fato, construir uma operação jurídica ancorada em dados, processo e responsabilidade técnica.

Assinado: Equipe Editorial Advoga Tech