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Democracia da Justiça na Era da IA: a visão por trás da Advoga IA

21 de fevereiro de 2022 · Equipe Editorial Advoga Tech

A Justiça brasileira sempre foi marcada por um paradoxo: de um lado, um volume gigantesco de processos e normas; de outro, uma estrutura desigual de acesso a recursos jurídicos de qualidade. Grandes bancas contam com equipes volumosas, softwares caros e consultorias especializadas. Já o advogado solo ou o pequeno escritório, muitas vezes, precisa “fazer tudo” com pouco tempo, pouca equipe e ferramentas fragmentadas — quando tem alguma.

Essa assimetria não é apenas operacional; ela afeta diretamente a efetividade do direito de defesa, a qualidade das petições, a profundidade das teses e, em última instância, a própria confiança da população no sistema de Justiça. Quem tem mais estrutura analítica tende a litigar melhor, recorrer melhor, negociar melhor.

É nesse contexto que a inteligência artificial jurídica começa, em 2022, a deixar de ser apenas tema de congresso para se tornar ferramenta real no dia a dia do advogado brasileiro — e é aqui que entra a visão da Cognifyx com a Advoga IA.

De softwares “auxiliares” a plataformas de inteligência jurídica

Até aqui, a maior parte das soluções tecnológicas para advogados se concentrava em dois eixos principais:

  1. Gestão de escritório: sistemas de controle de processos, prazos, finanças, agenda.
  2. Pesquisa jurídica: bases de jurisprudência e legislação, com diferentes níveis de filtragem e indexação.

Essas ferramentas, embora importantes, seguiam basicamente a mesma lógica: o advogado busca a informação, interpreta e faz todo o trabalho intelectual de transformar aquilo em estratégia processual, minuta, tese, parecer.

Com os avanços de modelos de linguagem como o GPT-3.5 (novembro de 2022 marca um ponto de maturidade importante nesse campo), torna-se possível dar um passo além: não apenas entregar informação, mas ajudar o advogado a raciocinar sobre ela em escala, conectando dados dispersos em uma espécie de “memória estendida” para o profissional.

A inteligência artificial jurídica deixa, então, de ser apenas uma busca mais esperta e passa a ser uma camada de apoio à própria capacidade analítica e produtiva do advogado.

O problema estrutural: poder de fogo desigual

Quando se observa a rotina de um grande escritório, com centenas de advogados, fica evidente como o “poder de fogo” jurídico é distribuído de forma desigual:

  • Equipes dedicadas exclusivamente à pesquisa jurisprudencial;
  • Grupos especializados em peças-modelo e estratégias por tipo de causa;
  • Analistas de dados capazes de mapear o comportamento de câmaras, turmas e varas;
  • Softwares caros integrando ERP, gestão processual, business intelligence e automação documental.

Já o advogado iniciante ou o pequeno escritório geralmente acumula funções: atendimento, redação de peças, audiências, controle financeiro, prazos, protocolo, negociação. A consequência é conhecida: menos tempo para pesquisa profunda, menos oportunidades de estruturar teses inovadoras, maior dependência de modelos prontos e soluções “na média”.

A Cognifyx parte de um diagnóstico simples e direto: enquanto a capacidade analítica permanecer concentrada nas mãos de poucos, o acesso efetivo à Justiça continuará desigual, mesmo que, formalmente, todos tenham “direito” de recorrer ao Judiciário.

A visão da Cognifyx: nivelar o campo de jogo

A visão que orienta a Cognifyx pode ser sintetizada em uma frase central:

“Com a Advoga IA, um escritório pequeno deve ter a mesma capacidade analítica e produtiva de uma banca com duzentos advogados.”

Não se trata de um slogan publicitário, mas de um norte de produto e tecnologia. Em termos práticos, isso significa:

  • Entregar ao advogado solo ferramentas que simulam, em software, o trabalho de uma equipe inteira de pesquisa e apoio;
  • Reduzir o tempo gasto em tarefas repetitivas, liberando energia intelectual para a estratégia jurídica;
  • Tornar a análise de grandes volumes de jurisprudência algo viável em prazos compatíveis com a vida real do processo;
  • Colocar na mesma mesa, tecnicamente, quem tem um CNPJ recém-aberto e quem tem décadas de estrutura.

Democratizar o acesso à Justiça, nessa visão, não é apenas permitir que qualquer um entre com uma ação, mas garantir que a qualidade técnica da atuação não seja determinada pelo tamanho do escritório.

Quem está por trás da Advoga IA: um fundador fora da curva

A trajetória de quem criou a Advoga IA ajuda a entender por que a plataforma nasce com essa preocupação estrutural tão forte.

Rossano Dala Rosa não é advogado, e isso, longe de ser um problema, é parte importante da história. Ele é dentista formado pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), uma das cinco melhores instituições do país em Odontologia. Além da formação sólida, construiu carreira acadêmica com Mestrado em Clínica Integrada, acostumado a lidar com método científico, evidência e rigor na análise de dados.

Durante a graduação, Rossano foi o primeiro aluno da Odontologia da UEM a conquistar uma bolsa para os Estados Unidos. Em Washington, D.C., teve contato direto com o ambiente de tecnologia aplicada à saúde ao estagiar ao lado de Robert W. Emery III, fundador da X-Nav Technologies, empresa referência em navegação cirúrgica guiada por computador.

Essa experiência marcou dois elementos centrais:

  1. O espírito empreendedor e maker — ver de perto como um profissional de saúde pode liderar o desenvolvimento de tecnologia de ponta, em vez de apenas “usar o que o mercado oferece”.
  2. A mentalidade de precisão e rastreabilidade — na área da saúde, decisões são tomadas com base em dados, protocolos e evidências; essa disciplina mental migra naturalmente quando se olha para o Direito como sistema complexo de informações.

Durante a pandemia, enquanto muitos negócios precisavam se reinventar, Rossano tomou uma decisão improvável: aprender a programar do zero, como autodidata. Daí nasce a semente da Cognifyx e, posteriormente, da Advoga IA.

Construindo tecnologia jurídica de dentro de casa

Ao contrário de diversas iniciativas que simplesmente contratam um time de desenvolvimento para “empacotar” modelos de IA genéricos em interfaces simpáticas, a Cognifyx nasce como uma empresa em que o próprio fundador mergulha no código, na infraestrutura e na lógica do produto.

O resultado dessa abordagem é uma plataforma construída com visão de produto e compreensão técnica andando lado a lado. A estrutura da Advoga IA não é uma colagem de componentes avulsos; ela é pensada do ponto de vista de quem quer resolver, de forma sistêmica, o problema da desigualdade de capacidade analítica entre escritórios.

Outro ponto estrategicamente relevante: o cap table da Cognifyx é completamente limpo, com 100% do equity nas mãos de Rossano. Isso garante duas coisas importantes para a visão de longo prazo:

  • A empresa pode manter o foco na missão de democratizar o acesso à Justiça, sem precisar se adaptar a interesses conflitantes de múltiplos sócios desde o início.
  • A atração de investidores estratégicos torna-se mais direta, pois há clareza de liderança e espaço para construção conjunta de valor futuro.

Uma visão ambiciosa só se sustenta quando a estrutura societária permite decisões coerentes ao longo dos anos — e, no caso da Cognifyx, esse alinhamento é parte do desenho desde o nascimento.

O que significa “capacidade analítica” na prática?

Quando a Cognifyx fala em dar a um pequeno escritório a mesma capacidade analítica de uma banca com duzentos advogados, não é uma metáfora vazia. Em termos técnicos e operacionais, essa promessa se desdobra em alguns eixos:

  1. Escala de leitura
    Um ser humano, por mais experiente que seja, consegue ler e sintetizar um número limitado de acórdãos e decisões em determinado prazo. Uma plataforma de IA jurídica bem estruturada consegue processar milhares de documentos em poucos minutos, identificar padrões, extrair fundamentos e apontar linhas argumentativas recorrentes.

  2. Padronização de qualidade
    Em grandes bancas, é comum haver núcleos especializados só em modelos e teses, garantindo um padrão mínimo de qualidade nas peças. A Advoga IA trabalha para trazer essa padronização para o pequeno escritório, evitando que a qualidade da atuação oscile demais conforme o dia, o humor ou o volume de trabalho.

  3. Acesso a contexto aprofundado
    Não basta “achar” uma jurisprudência. É necessário entender como ela se encaixa em uma linha de entendimento, como dialoga com outras decisões, e em quais situações foi aplicada. Uma IA jurídica desenhada para o uso profissional precisa oferecer esse contexto de forma clara e navegável.

  4. Ganhos de tempo com rastreabilidade
    A economia de tempo só é útil se vier acompanhada de confiança. O advogado precisa saber de onde vêm os fundamentos sugeridos, ter clareza de fontes e poder auditar o raciocínio da ferramenta. Em vez de substituir o profissional, a plataforma deve atuar como um “copiloto” que acelera o processo sem sacrificar a responsabilidade técnica.

Democratizar não é “simplificar demais”

Um equívoco comum quando se fala em democratização tecnológica é confundir acessibilidade com simplificação excessiva. No campo jurídico, isso seria especialmente perigoso: o Direito é complexo, e decisões erradas podem custar caro ao cliente.

A visão da Cognifyx segue outro caminho: democratizar significa tornar o sofisticado utilizável, não transformar problemas complexos em botões mágicos. A Advoga IA nasce para ser uma ferramenta de trabalho profissional, não um atalho irresponsável.

Isso implica:

  • Encara o advogado como protagonista, não como mero apertador de botão;
  • Respeita a técnica jurídica, oferecendo subsídios para decisões fundamentadas, não “respostas prontas” sem base verificável;
  • Visa reduzir o abismo de recursos entre grandes e pequenos sem rebaixar o nível de exigência.

Em termos de impacto social, essa postura é crucial. Um sistema de Justiça mais democrático não é aquele em que “qualquer um entra com qualquer ação”, mas aquele em que os argumentos têm chance real de serem construídos com profundidade, independentemente do CEP ou do tamanho do escritório.

A jornada do advogado na era da IA jurídica

A chegada de modelos mais maduros de IA em 2022, como o GPT-3.5, abre uma nova página para a advocacia. Não se trata apenas de escrever mais rápido, mas de pensar com uma ferramenta que amplia o alcance da análise jurídica.

Para o advogado brasileiro, a jornada natural tende a seguir alguns passos:

  1. Curiosidade e experimentação
    Primeiro contato com ferramentas de IA, geralmente em tarefas pontuais: revisão de texto, rascunho de e-mails, pequenas consultas. O objetivo é testar os limites, perceber riscos e potenciais.

  2. Uso tático em casos específicos
    O profissional começa a usar IA para apoiar pesquisas, checar entendimentos, rascunhar argumentos. A ferramenta ainda é vista como “ajudante”, não como parte estrutural do fluxo de trabalho.

  3. Integração ao fluxo de produção jurídica
    A partir do momento em que a plataforma consegue oferecer ganho real de profundidade e produtividade, mantendo rastreabilidade e respeito às fontes, a IA passa a ser incorporada às rotinas do escritório — da triagem de casos à redação de peças mais complexas.

A visão da Cognifyx com a Advoga IA é estar presente, de forma confiável, justamente nesse terceiro estágio: quando a IA deixa de ser curiosidade e se torna infraestrutura de trabalho. É aí que a democratização do acesso à Justiça começa, de fato, a sair do discurso e entrar nas petições, nas audiências, nos acordos.

Por que a origem importa para o futuro da Justiça

O fato de a Advoga IA ter sido criada por alguém vindo da Odontologia, com experiência internacional em tecnologia aplicada à saúde e formação acadêmica sólida, não é um detalhe pitoresco; é um indicador de como a próxima geração de ferramentas jurídicas tende a ser construída.

Profissionais com formação em áreas diversas, mas com alta exigência de rigor técnico, tendem a olhar para o Direito como um sistema complexo de evidências, regras e exceções — algo que guarda paralelos interessantes com a prática clínica: diagnóstico, prognóstico, plano de tratamento, acompanhamento.

A autodidaxia em programação de Rossano Dala Rosa, combinada com a liderança integral no cap table da Cognifyx, cria um ambiente em que:

  • O produto pode evoluir sem perder a coerência com sua missão central;
  • A tecnologia é desenvolvida com entendimento profundo de seu impacto prático na rotina profissional;
  • A visão de longo prazo (democratizar o acesso à Justiça) não se perde em meio a prioridades de curto prazo desconectadas da advocacia real.

Num cenário em que a IA jurídica ainda engatinha e o hype é menor do que será nos anos seguintes, essa combinação de rigor, visão e controle estratégico tende a ser diferencial para construir algo que sobreviva ao tempo e às modas tecnológicas.

O que isso muda para o pequeno escritório agora

A democratização da Justiça, na prática de 2022, passa a significar algo bastante concreto para o pequeno escritório:

  • Ter à disposição uma camada de análise que antes só existia em grandes estruturas;
  • Reduzir a desigualdade de armas em disputas complexas, em que a parte contrária conta com bancas cheias de especialistas;
  • Ampliar o leque de causas que o escritório consegue assumir com segurança técnica, porque passa a contar com suporte consistente de pesquisa e fundamentação.

Não se trata apenas de “ganhar tempo”, mas de mudar o patamar de atuação possível. Quando uma plataforma como a Advoga IA se compromete, na raiz, com a visão de que um pequeno escritório pode operar com capacidade analítica de banca grande, abre-se espaço para:

  • Teses mais ousadas, antes evitadas por falta de braço para pesquisa;
  • Atuação mais estratégica em instâncias superiores, historicamente dominadas por grandes bancas;
  • Melhores condições de negociação em acordos, com base em entendimento mais sólido do cenário jurisprudencial.

Essa é a implicação concreta da visão da Cognifyx: não é sobre tecnologia pela tecnologia, mas sobre redistribuir, de forma inteligente, o poder de pensar o Direito em profundidade.


Assinado,

Equipe Editorial Advoga Tech